
Quando se pensava em Carnaval, o rock era um dos gêneros menos lembrados pela maioria dos foliões. Essa realidade mudou com a chegada do Palco do Rock (PDR), em 1994. O festival tornou-se uma tradição na folia, mas a edição de 2026 acendeu dúvidas na cabeça do público. A demora para a divulgação do line-up deste ano fez com que muitos pensassem que o evento estaria prestes a enfrentar seu fim.
Mesmo com o atraso, o festival segue com sua programação normal, que começa neste sábado (14) e segue até a próxima terça-feira (17), no Coqueiral da Praia de Piatã. Diante das incertezas sobre a principal célula do gênero dentro do Carnaval, surgiu a necessidade de buscar outras maneiras de curtir o período momesco.
“O atraso realmente afastou a galera, fez com que as pessoas criassem outras programações, porque não estamos falando de um evento pequeno; o Carnaval é muito grande. Quando um evento demora tanto para divulgar suas atrações, as pessoas buscam outras alternativas e isso causa esse afastamento”, contou o jornalista Fernando Santos de Oliveira, 25 anos, que frequenta o palco há cinco anos.
Morador de Pernambués, Fernando destaca que um grande obstáculo do festival está em sua localização. O fato de o palco ser separado do resto da programação carnavalesca complica a logística dos foliões. “Eu acredito que o maior problema com o Palco do Rock é a questão da mobilidade. Além do baixo número de transporte, por não ter opções como nos outros circuitos, acaba que, se você ficar até mais tarde, não consegue utilizar o transporte público para voltar. Muitas vezes, os motoristas de aplicativo também não querem aceitar a corrida”, afirmou.
Apesar de ter se desmotivado por conta da demora, o baiano ainda compartilha um carinho especial pelo PDR. Para ele, o fim do evento é uma possibilidade que ganha cada vez mais força. “Seria, com certeza, uma perda muito grande, algo que inclusive preocupa muita gente ano após ano, porque o sentimento que muitas vezes fica é que o Palco do Rock está com cada vez menos investimento. Todo ano temos uma edição, mas a dúvida sempre fica se no próximo ano vai ter”, pontuou.
Procurada pelo MASSA! para explicar o motivo do atraso na divulgação das atrações deste ano, a equipe do Palco do Rock não enviou resposta até o fechamento desta reportagem.
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Rock é resistência na folia
Apesar de o festival ser o principal representante do ritmo, ele não é o único. Durante sua apresentação no Furdunço, o bloco Os Informais contou com um repertório que passeava pelo rock, incluindo canções do Nirvana e Charlie Brown Jr. No mesmo dia, a banda Marculino e Seus Belezas encantou o circuito Ondina-Barra com músicas de Raul Seixas, considerado o pai do rock brasileiro.
Além disso, na última quarta-feira (11), um grupo de foliões se reuniu para a criação de um “minibloco” dedicado à banda de rock americana Linkin Park, no desfile do Habeas Copos. Tudo isso mostra que o gênero tem presença na folia, mesmo com o aparente “sumiço” do Palco do Rock.
“Rola esse tipo de evento, mas eu acho que é mais difícil de chegar nas pessoas. É menos acessível, mais underground ainda do que o Palco do Rock”, explicou a artista plástica Juvia Libanio, 23 anos, que marca presença no PDR há quatro anos, mas não deixa de curtir o rock em outros lugares da capital baiana.
Festival confuso
A falta de organização não é uma novidade para quem acompanha o PDR. A artista ressalta que a “ausência de informações” é algo constante durante as edições. “Acho que poderiam dar um pouco mais de atenção para esse tipo de organização, porque esse cenário já é mal visto justamente por falta de planejamento, pela galera não ter uma comunicação tão fácil ou acessível. Então, é algo que valeria a pena melhorar”, acrescentou.
Apesar das formas alternativas de se curtir o gênero no Carnaval, ainda existe muito o que evoluir. Juvia defende que a capital baiana tem potencial para, futuramente, ser mais aberta ao estilo. “Salvador é gigantesca e tem muitos lugares grandes, tem carnavais menores nos bairros. Não vejo o porquê de o rock não ocupar outros espaços além dos grandes circuitos; acho que seria muito legal sair algum trio relacionado”, detalhou.
Palco do Rock edição 2026
Sábado (14): Honoris Rock, Carnage, Orelha Seca, Marcio Mello, Dead Fish, Escarnium, Malefactor e Defeito de Fabricação;
Domingo (15): Cobra de Coleira, Cartilha de Ódio, Jorge King, Thathi, Eskröta, Auro Control, Desiranted, Alkymenia e Lote 7;
Segunda-feira (16): Iracema Improta, Espécie Vil, Professor Doidão e os Aloprados, Vivendo do Ócio, Suffocation of Soul, Bayside Kings, Martin Mendonça, Bad Maria e Papa Necrose;
Terça-feira (17): Antônio Sem Medo, Estilhaços, Intra, Clariana, Aztlan, Black Pantera e Ratos do Porão.
