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NO AEROPORTO - - Atualizado em

Aplicação do Kiss & Fly amplia debate por fim de cobrança em Salvador

Motoristas e passageiros estão insatisfeitos com a dinâmica

Sistema foi criado para organizar o trânsito na frente do Aeroporto
Sistema foi criado para organizar o trânsito na frente do Aeroporto |  Foto: José Simões / Ag. A TARDE

Em meio aos debates em relação à possibilidade do fim das cancelas no Aeroporto de Salvador, por meio de uma proposta feita pelo presidente da Câmara Municipal de Salvador, o vereador Carlos Muniz (PSDB), com o Projeto de Lei nº 108/2026, o polêmico projeto “Kiss & Fly” tem constantemente gerado questionamentos.

O sistema foi criado para organizar o trânsito de carros na frente do terminal. Ele dá 10 minutos grátis no meio-fio para deixar ou buscar passageiros, mas cobra uma taxa caso o motorista ultrapasse esse tempo, com o intuito de evitar engarrafamentos. Dessa forma, caso o condutor ultrapasse o período determinado, é cobrado o valor integral da hora, definido em R$ 20.

Mesmo com o relato do local de que a intenção de organizar o fluxo no embarque e desembarque, motoristas por aplicativo, taxistas e até mesmo os passageiros não ficaram satisfeitos com a dinâmica, por conta do tempo.

Com a pressão popular, o assunto sobre o fim das cancelas do aeroporto voltou a ser debatido durante a Tribuna Popular da 39ª Sessão Ordinária na Câmara Municipal de Salvador, na tarde da última segunda-feira (10).

O presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, afirma, em entrevista à reportagem do MASSA!, que a limitação imposta com as cancelas prejudica diariamente o trabalho dos motoristas e classificou a situação como um “suborno com a categoria”, devido à possibilidade de cobranças irregulares que poderiam chegar a R$ 30 mil mensais, como uma taxa para os taxistas ocuparem o ponto, sendo impraticável continuar no trabalho devido ao prejuízo.

Aspas

Afirmei e reafirmo o que eu falei na tribuna popular da Câmara, que está vindo uma questão, eu diria, um suborno com a categoria, onde eles ameaçam o tempo todo retirar uma placa, que já existe há anos, no intuito de ganância, de ganhar 100 mil reais de caução dos taxistas que lá rodam, em grupos, e cobrar 30 mil por mês

Denis Paim

"Uma aberração do poder público, que não toma nenhuma providência quanto a isso, e sobre a ameaça de retirar placa, sabe que retirando aquela placa lá dificultará, né, nós trabalharmos", reforça.

Denis Paim ainda destaca as dificuldades dos passageiros em relação às adversidades causadas por engarrafamentos após as cancelas, que, de acordo com o presidente, já fizeram passageiros perderem voos e enfrentarem problemas. Ele também afirmou que continuará lutando na Câmara e expondo o caso com a intenção de beneficiar os motoristas e também quem depende do serviço.

Em meio à polêmica, a equipe do MASSA! esteve no Aeroporto Internacional de Salvador na última terça-feira (11) e conversou com motoristas que relataram insatisfação com a cobrança.

Entre eles, o motorista Paulo comentou sobre as dificuldades que enfrenta diariamente em relação ao limite de tempo e afirmou acreditar que, mesmo com a pressão da categoria, o problema não será solucionado.

Aspas

Aqui é público, essa pista aqui. Eu sempre digo que eles não podem privatizar, já que pertence ao público. […] Eu acredito que essa cancela não vai ser aberta, porque eles querem que a gente pague.

Falta de acessibilidade

Outro ponto debatido pela população é sobre a falta de acessibilidade fornecida dentro do limite de tempo, em relação ao embarque de passageiros que contam com deficiências físicas.

Também em entrevista ao MASSA!, a presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), Silvanete Brandão, pontua que o tempo de embarque e desembarque não pode ser imposto por uma determinação que limite quem entra e sai dos veículos.

Aspas

Cada pessoa tem um tempo diferente. Entenda que os motoristas de aplicativo e táxi, eles não vão ter essa sensibilidade, nem todos vão ter essa sensibilidade de esperar, de pegar a cadeira, de montar

Silvanete Brandão

"O que a gente entende é que é inconstitucional essa cobrança, o direito de ir e vir das pessoas com deficiência tem que ser respeitado", acrescenta.

Silvanete Brandão garante que a ABADEF continua tentando conversar com os representantes do movimento, mas que não obteve retorno sobre a revisão dos valores cobrados de pessoas que já tiveram que pagar por conta da limitação do direito de ir e vir.

"Estamos aqui lutando e sinalizando para os poderes públicos o que está acontecendo na cidade de Salvador e no aeroporto. Infelizmente tivemos conversas com eles, eu não sei se vai ser revisto essa cobrança para todas as pessoas e como é que vai ser sinalizado o tempo da pessoa com deficiência que ultrapassar esses dez minutos, quem vai ficar com essa conta", analisa.

Aspas

Infelizmente, a gente ainda sofre de muito capacitismo estrutural e as pessoas com deficiência, elas não podem se sujeitar ao impedimento de estar em um local público como o aeroporto pelo fato de não ter respeitado o seu direito de ir e vir

Silvanete Brandão

Assim, a proposição de Munizproíbe a cobrança de tarifa para acesso às áreas de embarque e desembarque de passageiros em Salvador. Na última segunda-feira, quando o assunto voltou a ser debatido, os vereadores Randerson Leal (Podemos), líder da oposição, e Sílvio Humberto (PSB) manifestaram apoio à causa dos taxistas.

Investigação

Com o caso, o MP-BA instaurou um inquérito civil para investigar supostas irregularidades operadas pela concessionária que administra o Aeroporto de Salvador.

A ação , iniciada por meio da 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor, foca em práticas abusivas de preços e no descumprimento de normas básicas de segurança e licenciamento.

Segundo o Ministério Público, a política inviabiliza paradas rápidas gratuitas e configura vantagem excessiva para o fornecedor.

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