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No embalo do samba - 26/07/2026, 20:43 - Artur Soares

Caminhada Samba para os Avós é marcada por homenagem aos mais velhos

Cortejo completou uma década valorizando idosos e fortalecendo tradições

Além de marcar o Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), a data também é dedicada a Nanã, a yabá mais antiga das religiões de matriz africana. Em meio às comemorações, o bairro do Curuzu, em Salvador, recebeu a 10ª edição da Caminhada Samba para os Avós, que reuniu moradores em um cortejo voltado à valorização da terceira idade e da cultura popular.

Promovido pela banda Negros de Fé em parceria com a Associação de Moradores e Amigos do Curuzu (Amac), o evento teve início na entrada do bairro e seguiu até o Ponto das Virgens, nas proximidades da Senzala do Barro Preto. Ao longo do percurso, foram distribuídos gratuitamente camisas, chapéus e mungunzá, alimento tradicionalmente associado a Nanã. A programação foi encerrada com uma roda de samba aberta ao público.

Cortejo realizado neste domingo (26), Dia dos Avós e de Nanã
Cortejo realizado neste domingo (26), Dia dos Avós e de Nanã | Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Quando o som dos tamborins e da viola tomou conta das ruas, a idade passou a ser apenas um detalhe. Os idosos acompanharam o cortejo com animação e transformaram a caminhada em uma grande celebração.

“Costumamos brincar com eles falando que se o INSS observasse o que acontece aqui no Dia dos Avós, eles iriam perder o benefício. Eles ficam muito alegres, felizes, e eu acho que é isso que importa”, contou Ubiraci Policarpo, organizador da festa, em entrevista ao MASSA!.

Conhecido como Bira, o vocalista da banda Negros de Fé explica que a iniciativa nasceu para oferecer mais atenção e momentos de lazer aos idosos da comunidade. O projeto começou com tardes de entretenimento, filmes, lanches e brincadeiras, até ganhar o formato atual.

“A gente colocava filmes para que eles pudessem se divertir, uma tarde com lanches, entretenimento, brincadeiras e muitas coisas. Após dois anos, surgiu a caminhada dos avós, com eles brincando na palma da mão”, afirmou.

Bira, vocalista da Negros de Fé e organizador da caminhada
Bira, vocalista da Negros de Fé e organizador da caminhada | Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Após uma década, a caminhada ganhou uma estrutura mais consolidada, com abadás oficiais e temas anuais. Em 2026, o cortejo levou o tema "Para você eu tiro o chapéu", como forma de reconhecer a contribuição dos patriarcas e matriarcas do Curuzu.

“A gente entendeu que, como no ano passado foi ‘vovó valeu pelas palmadas’, agora é ‘para você eu tiro o chapéu’. Se hoje eu tenho uma formação, eu agradeço a minha avó. Se hoje eu sou uma pessoa de bem, eu agradeço a minha avó”, destacou Bira.

Celebração atravessa gerações

Ao longo do trajeto, moradores acompanharam a caminhada das janelas e portas de casa, enquanto idosos sambavam pelas ruas transformadas em passarela.

“Para mim é maravilhoso porque eu adoro samba. Gosto de sambar, dançar. A idade não atrapalha nada, basta você poder e querer fazer o que tem vontade”, disse Graça Regina, de 64 anos.

Moradora da Liberdade e turbanteira, Graça participa da caminhada há três anos. Mesmo após a morte da avó, ela diz que o evento fortalece a memória familiar e valoriza quem hoje ocupa esse lugar.

“Apesar de Deus já ter levado a minha avó, ainda é maravilhoso para quem é avó, porque eu também sou. Então, é um grande prazer acompanhar”, pontuou.

Evento comemorou 10 anos com desfile e  roda de samba
Evento comemorou 10 anos com desfile e roda de samba | Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Avó de dois netos, ela afirma que pretende continuar participando da celebração enquanto puder: “É algo que faz parte de nossa trajetória. Além disso, a gente tem que viver a vida, a vida é uma passagem, temos que aproveitar porque disso aqui não levamos nada”, acrescentou.

A caminhada também atraiu pessoas de diferentes idades e religiões. Claudia Regina, de 51 anos, participou pela primeira vez e disse que saiu do evento refletindo sobre a importância dos avós em sua própria vida.

“Eu até estava falando com minha irmã que eu vou mandar uma mensagem para a avó de meu filho, que eu amo, faz tudo por ele e é uma pessoa muito importante na minha vida”, explicou.

Ela também contou que passou a gostar mais de samba depois de acompanhar apresentações da banda: “Eu não gostava de samba, mas aí eu acompanhei eles [Negros de Fé] em alguns eventos e agora o repertório lá em casa é 90% de samba. O samba está tomando conta do meu sangue”, revelou.

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Moradora de Sussuarana, Claudia destacou ainda o ambiente de integração promovido pela caminhada: “É um incentivo para as pessoas respeitarem não só os mais velhos, como também todos os tipos de classe. Todo mundo vai atrás [da caminhada], desde os mais novos até os mais idosos, de todas as raças e religiões”, apontou.

Novas gerações mantêm a tradição

A festa também abriu espaço para os mais jovens. Na linha de frente da banda Negros de Fé, Zidane Marley, de 13 anos, chamou atenção tocando tamborim durante todo o percurso.

“Eu acho muito legal o samba da ladeira e eu espero que meu samba ainda cresça muito”, contou.

Avós são homenageados em caminhada
Avós são homenageados em caminhada | Foto: Ana Albuquerque/Ag. A TARDE

Ao lado da mãe e da tia, o adolescente demonstrava desenvoltura com o instrumento, mas admitiu que também aguardava o lanche oferecido após o cortejo.

“É muito bom, tem um sol quentinho, as pessoas felizes, eu adoro. Gosto muito de comer também, fazer uma boquinha de graça”, disse.

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