
Se você achou que a chuva em Salvador deu uma trégua, pode esquecer. Com a chegada do outono, a capital baiana entra justamente no período mais pesado do ano quando o assunto é precipitação.
Só em abril, já choveu quase 300 mm na cidade. E, na última semana, a situação apertou ainda mais: bairros como Rio Vermelho e Barris registraram cerca de 156 mm em apenas 96 horas. Em outras regiões, como Pirajá e Marechal Rondon, o volume também foi alto, passando dos 140 mm.
De acordo com o meteorologista Gabriel Pugliese, do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), esse cenário não é novidade. Historicamente, os meses de abril, maio e junho são os mais chuvosos na cidade, concentrando grande parte das precipitações do ano.
Segundo ele, essa “chuvarada” toda é resultado de uma mistura de fatores: frentes frias que chegam ao litoral, áreas de baixa pressão, além das chamadas ondas de leste — que ajudam a manter a chuva constante. Soma-se a isso a umidade vinda do Oceano Atlântico, que deixa o tempo ainda mais carregado.
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Mas tem um detalhe que chama atenção: esse padrão já não é tão previsível como antes. De acordo com o meteorologista Giuliano Carlos, da Defesa Civil, tem chovido forte até fora da época tradicional, o que pode ter ligação com mudanças climáticas e alterações na temperatura do oceano.
Mesmo assim, a previsão para os próximos meses é de chuvas dentro da média histórica. Ainda assim, a Defesa Civil segue em alerta máximo e reforçando as ações para evitar problemas maiores.
A “Operação Chuva” já está em andamento desde o início de abril, com monitoramento 24 horas, uso de radares e satélites, além de acompanhamento em áreas de risco. A prefeitura também intensificou medidas preventivas, como instalação de lonas em encostas, limpeza de canais e ações de drenagem.
Além disso, há um trabalho direto com a população, com projetos educativos e treinamentos para situações de emergência, principalmente em locais com risco de deslizamento.
