
O fim da escala de trabalho 6x1 - em que se folga apenas uma vez na semana - tem sido o assunto mais falado nas redes sociais, transporte público, lojas e afins. Dentro da realidade baiana, o interesse fica evidente, já que 63% da população trabalha mais de 44 horas semanais, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
No território baiano, a média de horas trabalhadas chega a 44,2, acima da média nacional, que é de 43,4. É estimado que cerca de 56% dos trabalhadores brasileiros estejam em jornada longa acima de 44 horas semanais.
As regiões com as maiores médias de intensidade laboral são o Norte e o Nordeste, com estados ultrapassando 45 horas médias semanais e mais de 70% dos trabalhadores em jornadas longas, cenário associado à maior informalidade, conta própria e menor rendimento médio do mercado de trabalho regional.
Dentre os 50 milhões de trabalhadores formais no Brasil, cerca de 37,2 milhões (74%) têm jornada de 44 horas semanais. No entanto, um contigente significativo, de aproxidamente 29,7 milhões, já operam na escala 5x2.
O cenário é diferente quando desce no país. Os estados com as menores médias estão no sudeste e no Distrito Federal.
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Trabalha muito e paga pouco
A alta intensidade de tempo trabalhado, na maioria das vezes, não é sinônimo de salário alto. Isso porque os trabalhadores brasileiros que atuam na carga semanal de 41 a 44 horas são a segunda parcela com o menor índice salarial. Em dezembro de 2025, eles receberam, em média, R$ 3.362,45. Este recorte populacional fica à frente apenas de quem labuta de 16 a 20 horas, que tem o valor mensal de R$ 2.991,86.
Mesmo não passando das 12 horas trabalhadas por semana, a média para essas pessoas é de R$ 4.190,10. Os maiores pagamentos em média vão para quem trabalha na faixa de 31 a 40 horas semanais, com R$ 6.741,99. São 18,379 milhões de pessoas nessa faixa.
Salário do baiano melhorou, mas ainda é o segundo pior
O levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostra que a média salarial dos baianos é a melhor, desde que começou a ser pesquisados tais números, em 2012. Em 2025, o valor foi de R$ 2.162 por mês, considerando salários, aposentadorias, programas sociais, aluguéis e outras fontes de renda. O valor representa um crescimento real de 2,9% em relação a 2024, já descontada a inflação.
No entanto, a situação ainda é complicada, já que é a segunda pior média, acima apenas do estado do Maranhão, também no Nordeste. A valor nacional alcançou R$ 3.367.
Com a menor média de horas trabalhadas, a população do Distrito Federal tem o melhor salário, que chega a R$ 5.043. Confira o ranking de todos os estados:
Distrito Federal, R$ 5.043
São Paulo, R$ 3.907
Paraná, R$ 3.758
Rio de Janeiro, R$ 3.733
Santa Catarina, R$ 3.698
Rio Grande do Sul, R$ 3.633
Mato Grosso, R$ 3.510
Mato Grosso do Sul, R$ 3.390
Espírito Santo, R$ 3.231
Brasil, R$ 3.225
Goiás, R$ 3.196
Rondônia, R$ 3.011
Minas Gerais, R$ 2.910
Amapá, R$ 2.851
Roraima, R$ 2.823
Tocantins, R$ 2.786
Rio Grande do Norte, R$ 2.668
Acre, R$ 2.563
Pernambuco, R$ 2.422
Alagoas, R$ 2.406
Sergipe, R$ 2.401
Amazonas, R$ 2.293
Paraíba, R$ 2.287
Pará, R$ 2.268
Piauí, R$ 2.203
Bahia, R$ 2.165
Ceará, R$ 2.071
Maranhão, R$ 2.049
