
A audiência do caso de Andrei Peroba, jovem que perdeu o braço após um acidente em um parque de diversões instalado no Campo da Pronaica, em Cajazeiras 10, em 2024, aconteceu na manhã desta terça-feira (17), no Tribunal de Justiça da Bahia, no Fórum Ministro Adhemar Raymundo da Silva. Antes da sessão, Andrei desabafou sobre como tem sobrevivido nos últimos dois anos.
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“Eu estou levando a força de Deus mesmo, na medida do possível, porque foi uma destruição mesmo isso que aconteceu com a minha vida. Mas Deus sabe de todas as coisas, que poderia ter acontecido algo bem pior do que já aconteceu. E entrego na mão de Deus que a justiça seja feita”, disse.
Desde o acidente, o jovem está impossibilitado de trabalhar e vem vivendo de serviços esporádicos. Ele afirma não ter recebido qualquer assistência dos responsáveis, nem mesmo ajuda para comprar remédios básicos.
“Tenho que me virar sozinho e como aconteceu isso, eu fiquei impossibilitado de trabalhar. Tinha que fazer o quê? Vender caldo na praia, viver de bico [...] O meu braço não volta mais, então a única coisa que eu quero mesmo é só que a justiça seja feita, pelo menos para eu não passar fome”, lamentou.
A dor de uma mãe
A mãe de Andrei, Adneia Peroba dos Santos, de 39 anos, acompanhou o filho durante a audiência. Ela contou que o jovem está depressivo e que a família vive há dois anos entre sofrimento e incertezas.
“Eu preciso de resposta porque é meu filho, não é um boneco. E até hoje sem uma resposta, eu sofrendo com uma angústia, porque meu filho parou a vida dele. Só eu e Deus sabe o que meu filho está passando. Meu filho está depressivo. E aí? Quem vai pagar por isso aí que está causando o filho? Foi um erro deles e eu espero justiça”, declarou.

Entenda a audiência e os próximos passos
O advogado de acusação, Bruno Moura, explicou ao portal A TARDE que a etapa atual é a audiência de instrução e julgamento, na esfera criminal, onde três pessoas figuram como rés:
➡️ O dono do parque;
➡️ O dono do brinquedo;
➡️ O operador do brinquedo.
Segundo ele, o objetivo agora é garantir que os envolvidos sejam responsabilizados e cumpram as penas determinadas pela Justiça.
“Eles estão tentando se esquivar das suas responsabilidades. A gente, inclusive, tanto na esfera criminal, quanto no cível, tem logrado êxito, mas eles têm feito de tudo para não cumprir com a obrigação, que é, primeiro, fornecer a prótese ao jovem Andrei e, depois, toda a questão de indenização, toda a questão criminal e tudo mais”, afirmou.
Na esfera cível, a Prefeitura de Salvador também é ré, já que a defesa entende que o órgão precisa ser responsabilizado por ter concedido o alvará de funcionamento ao parque.
“Ela deu o aval para que o parque fosse instalado todos os dias para que as pessoas pudessem utilizar. Então, com toda certeza, a Prefeitura deve arcar com essa responsabilidade, visto que foi ela que autorizou a instalação do parque”, disse o advogado.

Na época do acidente, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) fez perícia e constatou que o botão de urgência do brinquedo estava quebrado e não passava por manutenção.
Relembre o caso
No dia do acidente, Andrei estava no parque com a irmã de 17 anos e a prima de 9, após sair do trabalho. Eles entraram no brinquedo do tipo pêndulo chamado “Intoxx”, quando o equipamento despencou e atingiu o chão.
O jovem teve o braço esmagado e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros em estado grave para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde ficou internado e entubado.
A irmã dele, Andreia, também se feriu, mas sofreu apenas lesões leves e foi liberada após atendimento no Hospital Eládio Lasserre.
