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Gestão de resíduos - - Atualizado em

Lixo vira problema diário para moradores da Suburbana e Cidade Baixa

Ação conjunta envolvendo órgãos municipais foi realizada nesta terça-feira (18)

Jaísa Almeida
Jaísa Almeida
Concentração desses resíduos podem causar diversos problemas
Concentração desses resíduos podem causar diversos problemas |  Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

O lixo que deveria sair das casas em dias e horários determinados acaba, em alguns pontos de Salvador, permanecendo nas ruas. Sacos, móveis, restos de alimentos, pneus e materiais de construção se misturam nas calçadas e em áreas abertas, próximos a residências e locais de circulação. Para quem mora nessas regiões, o problema deixa de ser apenas uma questão de limpeza e passa a interferir diretamente na rotina.

Na Avenida Suburbana e no Bate-Estaca, na Cidade Baixa, uma ação conjunta da prefeitura da capital baiana foi realizada nesta terça-feira (18), para atuar sobre locais onde há descarte irregular de resíduos domiciliares, comerciais e entulho. A mobilização envolveu órgãos municipais e teve como uma das preocupações os efeitos que a concentração desses materiais pode provocar, como obstrução de canais de drenagem, alagamentos e proliferação de animais e insetos.

Na Vila Ruy Barbosa, área que faz divisa com o Bate-Estaca e fica próxima a localidade do Uruguai, a situação já é comum para aqueles que vivem no entorno. A moradora Meire Jane conta ao MASSA! que a falta de coletores em determinados pontos faz com que os resíduos fiquem expostos por mais tempo. Ela também reclama da forma como materiais separados para reciclagem são manuseados, o que, segundo ela, acaba espalhando ainda mais sujeira pelas ruas.

Meire Jane é moradora do Jardim Cruzeiro e convive com o problema diariamente
Meire Jane é moradora do Jardim Cruzeiro e convive com o problema diariamente | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

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Segundo a mulher, a presença de recipientes adequados poderia ajudar a concentrar o material em um único local e evitar que os resíduos permanecessem espalhados pelo bairro. A moradora afirma que essa é uma demanda percebida por quem convive diariamente com o problema.

“Nosso bairro aqui está precisando de coletores nas ruas, porque o lixo fica muito exposto. Os recicladores também não colaboram, espalham, entendeu? Tendo um coletor, ficaria uma situação mais agradável.”, relata.

De acordo com Meire, o lixo deixado a céu aberto também está relacionado a presença de ratos e baratas. A moradora diz que a situação se torna ainda mais incômoda para as famílias porque as crianças passam pelas calçadas onde os resíduos são acumulados. Ela também aponta dificuldades com a regularidade da coleta em determinados dias da semana.

Desarte inadequado pode causar proliferação de animais
Desarte inadequado pode causar proliferação de animais | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

Segundo a moradora, quando o caminhão não passa no período esperado, geralmente às segundas-feiras, os próprios residentes precisam encontrar um lugar para deixar o que foi produzido dentro das casas. Sem um recipiente disponível nas proximidades, a rua acaba sendo utilizada como ponto provisório.

“Dá muito rato, muita barata, aí é uma situação desagradável. Porque tem muitas crianças aqui. Infelizmente, passam na calçada, no meio do lixo. E também dia de segunda é raro vir o carro da coleta. Aí a gente, que é morador, vai botando o lixo na rua sem ter esse coletor".

A reclamação sobre o destino dos resíduos também aparece na fala de Paulo Henrique, bombeiro militar aposentado. Segundo ele, a caixa coletora próxima a sua residência recebe materiais levados por pessoas que vivem em outras ruas e, por isto, acaba dividindo o recipiente com outros objetos depositados no mesmo espaço.

Paulo Henrique também se queixa do acúmulo de resíduos na localidade
Paulo Henrique também se queixa do acúmulo de resíduos na localidade | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

Para ele, o problema se agrava quando restos de comida e outros materiais orgânicos permanecem no local e começam a se decompor. O líquido produzido nesse processo, conhecido como chorume, fica próximo às casas e, segundo o seu relato à reportagem, contribui para a presença de moscas.

“A situação desse lixo é o descarte. Não é dos moradores daqui, são moradores da redondeza que saem de lá das outras ruas para depositar aqui, quem está sofrendo somos nós aqui. Porque a questão não é só o lixo, e sim o chorume que fica, aquela água suja que sai de dentro de carne podre, comida podre, tudo sujo ali e fica juntando mosca.”, descreve.

Paulo afirma ainda que a situação pesa principalmente sobre pessoas que já enfrentam problemas de saúde. Na avaliação dele, a exposição frequente ao lixo cria uma dificuldade adicional para moradores que precisam de cuidados constantes ou que apresentam maior vulnerabilidade.

O aposentado cita entre os vizinhos pessoas com problemas renais, cardíacos e de pressão arterial. Segundo ele, a presença dos resíduos nas proximidades das casas acaba sendo mais um fator de preocupação para essas famílias.

“A gente sofre. Nós temos pessoas doentes, pessoas debilitadas, tem gente com muitos problemas de saúde. E, com isso aí, ficamos mais prejudicados.”

Outro ponto levantado por Paulo é a velocidade com que novos materiais aparecem depois da retirada feita pela coleta. Ele afirma que já presenciou descartes ocorrendo pouco tempo após a passagem do caminhão e diz que existe um local destinado ao recebimento de entulho próximo dali.

Na avaliação do morador, a ausência de fiscalização facilita que pessoas de outras localidades utilizem a área residencial como destino para materiais que poderiam ser levados a um ponto apropriado.

“Não é que eles não tiram, não, eles tiram, mas quando acabam de sair com o caminhão, você pode passar meia hora que tem gente jogando novamente entulho, lixo aí. O ponto de coleta é próximo, basta subir a ladeira. Tem a coleta de entulho bem ali. Mas, por falta de fiscalização, vem gente de outras localidades descartar aqui.”

Descarte inadequado pode trazer outros riscos

Os relatos dos moradores ao MASSA! encontram sustentação nas preocupações apresentadas pelos órgãos responsáveis pela limpeza e fiscalização. O diretor-presidente da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), Carlos Augusto, afirma que os impactos do descarte inadequado não ficam restritos ao aspecto visual das ruas. Segundo ele, os materiais podem atrair insetos e animais peçonhentos, além de ocupar espaços destinados aos pedestres, obrigando-os a dividir a pista com veículos em determinados trechos.

Carlos Augusto da Silva Gomes, diretor-presidente da Limpurb
Carlos Augusto da Silva Gomes, diretor-presidente da Limpurb | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

“Esses descartes irregulares degringolaram para diversas anomalias na cidade. Desde a questão de saúde pública, insetos, animais peçonhentos, questão estética também, a fluidez do trânsito das pessoas, onde elas são impedidas de seu livre acesso, uma vez que ela está com lixos nos passeios.”

A Limpurb aponta que há contêineres disponíveis em áreas onde a ação foi realizada. Ainda assim, segundo o diretor-presidente, parte dos resíduos continua sendo colocada fora dos equipamentos destinados ao armazenamento, o que contribui para a formação de novos pontos de acúmulo.

Ele reconhece que a coleta é realizada, mas alerta que a permanência dos locais limpos depende também do uso correto dos equipamentos disponibilizados.

“Têm coletores de lixo, mas, infelizmente, é algo da população local: ela está com o costume de fazer descarte em locais irregulares. Então, foi evidenciado que lá [Avenida Suburbana e Bate-Estaca] está com excesso desse material de forma irregular, sabendo que nós temos os contêineres à disposição. A Limpurb coloca, faz a coleta, mas nem sempre, infelizmente, uma minoria da população, coloca no local adequado e, com isso, vai gerando esse acúmulo indevido.”

A operação realizada na Suburbana e no Bate-Estaca reuniu diferentes setores municipais. Ricardo Braz, diretor de Prevenção à Violência da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) também chama atenção para o período posterior à retirada dos resíduos. Ele afirma que a repetição do descarte nos mesmos endereços dificulta a manutenção do serviço realizado pelas equipes de limpeza e defende que os moradores sigam os horários e locais definidos para colocar os materiais.

Ricardo Braz, diretor de Prevenção à Violência da Semop
Ricardo Braz, diretor de Prevenção à Violência da Semop | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

A orientação, segundo ele, é que a população também participe da identificação de problemas e evite utilizar áreas públicas como pontos improvisados de descarte.

“O intuito é justamente trazer um maior conforto para a nossa cidade e para quem vive aqui. É uma ação não só de limpeza, é de dignidade. Agora, eu não posso me furtar de pedir à população também que preste atenção nos horários de descarte, nos pontos exatos que precisam ser utilizados. É necessário que a população também nos ajude.”

Tecnologia entra na fiscalização

A tentativa de identificar quem utiliza áreas públicas para descartar resíduos também deve ganhar o apoio de ferramentas tecnológicas. De acordo com o secretário municipal de Inovação e Tecnologia (Semit), Alberto Braga, drones e câmeras inteligentes estão entre os equipamentos previstos para o monitoramento de áreas consideradas mais críticas.

A proposta é acompanhar esses pontos e registrar ocorrências que possam auxiliar as equipes responsáveis pela fiscalização. O secretário afirma que o recurso deve ser utilizado inicialmente em locais onde o problema apresenta maior frequência.

Fiscalização vai ganhar apoio tecnológico
Fiscalização vai ganhar apoio tecnológico | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

Segundo Braga, o monitoramento pode funcionar como uma ferramenta complementar às ações realizadas pelas equipes municipais: “A ideia da inteligência do videomonitoramento é justamente para que a gente possa ter nesses locais, por enquanto, primeiramente mais críticos. É uma questão de saúde pública. A gente sabe que muitas vezes várias medidas, por conta de ter um videomonitoramento, por conta até de ter ações efetivas, conseguem educar a nossa sociedade.”

É importante lembrar que, quem descartar entulho e móveis em locais proibidos pode ser penalizado. Para pessoas físicas, os valores variam de R$129,10 a R$ 1.936,44. Já para pessoas jurídicas, a multa vai de R$ 516,38 a R$ 3.872,83. Em casos de reincidência ou quando houver maior risco ao meio ambiente e à saúde pública, os valores podem ser dobrados.

Mas onde descartar?

Para itens que não devem ser colocados junto ao lixo doméstico, a cidade de Salvador possui ecopontos em diferentes regiões. As unidades estão localizadas no Itaigara, Itapuã, Alto da Terezinha, Itacaranha, Bonocô e na Ilha de Bom Jesus dos Passos.

Os espaços recebem resíduos dentro de limites estabelecidos pela legislação municipal. Por dia, cada cidadão pode levar o equivalente a 50 latas de tinta, 200 carrinhos de mão ou 10 tonéis de materiais.

A existência de pontos específicos para esse tipo de descarte é uma alternativa para evitar que móveis, entulho e outros resíduos sejam deixados em calçadas e vias. Para os moradores das áreas afetadas, porém, o desafio continua envolvendo também a regularidade da coleta, a disponibilidade de equipamentos e a fiscalização de quem insiste em utilizar locais inadequados.

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