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Lauro de Freitas - 13/05/2026, 19:16 - Vinicius Portugal e Bruno Dias

“Me senti vulnerável”, desabafa escrivã acusada de furto em mercado

Maria Madalena Nascimento afirma que ficou psicologicamente abalada após o fato

Escrivã relatou o sofrimento com o ocorrido
Escrivã relatou o sofrimento com o ocorrido |  Foto: Bruno Dias/Portal Massa!

A voz embargada, o olhar cansado e as pausas durante o relato mostram que a dor da escrivã da Polícia Civil da Bahia, Maria Madalena Nascimento, vai muito além de uma acusação de furto. Aos 63 anos, a policial confessou, com exclusividade ao MASSA!, que saiu emocionalmente destruída após ser abordada por seguranças de uma unidade da Rede Mix, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Desde o episódio, ocorrido na última quinta-feira (7), Maria afirma que tenta lidar com crises emocionais e o abalo psicológico causado pela situação. “Eu não queria chegar aonde eu cheguei”, disse em um dos momentos do relato, enquanto relembrava o constrangimento vivido em plena via pública.

“Fui violentada de forma cruel. Estou fazendo uso de medicamentos por conta do meu estado psicológico, que está completamente abalado. Nunca imaginei que passaria por uma situação como essa”, declarou.

O que aconteceu?

Segundo Maria, tudo começou depois que ela saiu de outro estabelecimento, onde havia comprado três garrafas de vodca e um pacote de frango. Logo depois, entrou no supermercado apenas para pesquisar o preço de leite condensado. Sem comprar nada na loja, decidiu ir embora.

Ao sair do estabelecimento, percebeu um olhar estranho vindo de um segurança. Pouco depois, já na rua, foi surpreendida pela abordagem.

“Quando eu fui saindo, tirei a sacola do carrinho, botei a sacola no braço, e aí o segurança me olhou e eu olhei para ele. Percebi alguma coisa estranha. Ele olhou para a sacola, viu o frango, e eu pensei: ‘Meu Deus, será que esse homem está pensando que eu peguei o frango?’”, relembrou.

A escrivã conta que tentou explicar a situação e chegou a oferecer a nota fiscal da compra, mas afirma que não foi ouvida.

“Eu disse: ‘Inclusive, eu tenho a nota fiscal aqui. O senhor quer ver a nota?’. Ele respondeu: ‘Não, não vou olhar. Eu quero que a senhora me acompanhe’”, relatou.

O que mais machucou Maria, segundo ela, foi a sensação de precisar provar a própria honestidade diante de desconhecidos, no meio da rua, enquanto pessoas observavam a cena.

“Eu sou uma cidadã. Independente de ser polícia, eu sou um ser humano. Eu sou mulher, eu sou avó, tenho sete netos. Sou uma cidadã honesta. E eu queria provar a minha honestidade”, desabafou.

Em outro trecho emocionante, Maria revela que esperava apenas um pedido de desculpas.

“Talvez se ele olhasse a minha nota e dissesse: ‘Senhora, me desculpe, foi um engano’, talvez nada disso estivesse acontecendo. Eu não queria nada disso”, afirmou.

Maria Madalena contou com detalhes o que aconteceu no mercado
Maria Madalena contou com detalhes o que aconteceu no mercado | Foto: Bruno Dias/Portal Massa!

A policial contou ainda que só mostrou a carteira funcional quando percebeu que seria levada pelo segurança sem qualquer prova.

“Foi aí que eu tive que puxar a carteira de polícia. Eu disse: ‘Eu sou polícia. Você não vai me levar para lugar nenhum’”, relatou.

Sentimento de impotência?

Mesmo sendo escrivã há anos, Maria fez questão de destacar que sua dor não está ligada ao cargo que ocupa, mas à humilhação que sentiu como mulher negra e idosa.

“Eu não estou aqui porque sou polícia, não. Polícia também furta. A questão não é essa. A questão é que eu sou uma pessoa, como qualquer outra”, disse.

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Ela também relembrou o momento em que tentou conversar com a gerente da unidade e ouviu que aquele tipo de abordagem seria comum.

“Ela começou a falar para o colega que essa prática deles era normal. Inclusive, que já tinha chamado a atenção deles várias vezes. Aquilo acabou comigo”, contou.

Maria acredita que a cor da pele e sua aparência influenciaram diretamente na forma como foi tratada.

“Eu sou negra, com muito orgulho. Sou de família humilde. Eu estava de lenço na cabeça. Me senti vulnerável. Uma mulher vulnerável”, afirmou.

Seguranças presos

O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura suspeitas de injúria racial, calúnia e desacato. Os dois seguranças envolvidos foram presos em flagrante e tiveram as prisões convertidas em preventivas.

A escrivã informou ainda que pretende entrar com uma ação na Vara Cível por danos morais.

Supermercado em silêncio

Até o momento, o supermercado Rede Mix não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O espaço segue aberto para a manifestação.

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