
Imagine ser atacado a tesouradas durante o próprio horário de trabalho. Foi o que aconteceu com Leonardo Brito, motorista por aplicativo, na segunda-feira (31), no bairro do Costa Azul, em Salvador. Ele foi surpreendido por uma passageira que estava no banco traseiro do veículo após questioná-la sobre o pagamento da corrida.
Momentos antes de ser agredido, Leonardo conta que perguntou se a mulher pagaria em dinheiro ou via Pix, mas ela pediu que o valor fosse cobrado na próxima viagem. Ele diz ter explicado que o aplicativo não oferecia essa opção de cobrança. Diante da recusa, a confusão por causa do pagamento acabou evoluindo para agressão.
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A repercussão do caso fez surgir questionamentos sobre a segurança dos motoristas por aplicativo. Em entrevista ao MASSA!, o motorista, que ficou ferido no pescoço e na mão, ao tentar segurar o objeto usado no ataque, sugeriu medidas que, na avaliação dele, poderiam ser adotadas pelas plataformas, como Uber, 99 e Indrive, para reforçar a proteção dos profissionais durante as corridas.
Motorista defende checagem de antecedentes criminais de passageiros

Entre as sugestões estão a exigência de antecedentes criminais dos passageiros no momento do cadastro. Para ele, a medida poderia evitar que criminosos utilizassem as plataformas e até mesmo cometessem crimes.
“As plataformas deveriam exigir antecedentes criminais dos passageiros, principalmente para identificar pessoas que tenham mandados em aberto. Quando fiz meu cadastro, precisei tirar minha certidão de antecedentes criminais. Se eu tivesse qualquer problema, não entraria no aplicativo. Então, poderia existir esse mesmo cuidado em relação aos passageiros”, pontuou.
Monitoramento em tempo real de mudanças de rota poderia inibir crimes contra motoristas

Ele também sugeriu que as plataformas acompanhem as corridas em tempo real e, em caso de mudança suspeita de rota, entrem em contato com o condutor para verificar o que está acontecendo. A medida poderia ajudar a inibir casos de assalto, sequestro e outras violências contra motoristas.
“Poderia haver um monitoramento da corrida em tempo real. Se a gente traçasse outra rota, talvez a plataforma pudesse acompanhar de alguma forma e ligar para perguntar se está tudo bem”, acrescentou.
Foto do passageiro sendo exibida ao motorista antes da corrida

Por fim, Leonardo defendeu que os aplicativos mostrem a foto de quem solicitou a corrida, assim como já exibem a imagem dos motoristas que aceitam as viagens.
“A plataforma mostra nossa foto e o modelo do carro para os passageiros, mas nós não temos acesso às fotos deles. Isso também seria uma medida de segurança. Já aconteceu várias vezes de uma pessoa entrar no carro errado, principalmente em locais como a rodoviária. Você chega para embarcar uma pessoa e não sabe quem ela é porque não consegue ver a foto”, finalizou.

A reportagem procurou a Uber para saber quais medidas de segurança são adotadas pela plataforma para a proteção dos motoristas, mas a empresa não quis comentar o assunto. A 99 também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. Já o contato da assessoria de imprensa da InDrive não foi localizado pela reportagem.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) informou que as plataformas investem e trabalham continuamente para buscar cada vez mais proteção dos motoristas e usuários, durante e depois de cada corrida, como compartilhamentos de localização com contatos de segurança e gravação de áudio.
A associação ainda ressaltou que há um diálogo constante com o Poder Público, contribuindo com iniciativas que busquem avanços na segurança para dos condutores dos aplicativos e clientes.
Órgãos se manifestam sobre a segurança dos motoristas por aplicativos

Diante do caso envolvendo Leonardo, o MASSA! entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) para saber quais medidas são adotadas pela corporação para prevenir e combater a violência contra motoristas por aplicativo.
Em resposta, a PM informou que atua de forma ostensiva na prevenção e repressão de crimes contra a categoria, por meio de policiamento com viaturas, motocicletas e a pé, além da realização de blitz e abordagens de trânsito em pontos estratégicos. Segundo a corporação, essas ações contribuem para a fiscalização, a identificação de situações suspeitas e a prevenção de práticas criminosas.
Já a Secretaria da Segurança Pública afirmou que as polícias Militar e Civil, através do Batalhão Apolo e da DRFRV, mantém contato direto com representantes das categorias, garantindo mais celeridade nas ações ostensivas e investigativas para proteção dos motoristas. Pontuaram ainda que as ocorrências enviadas através do 190 ou registradas em unidades policiais são tratadas com prioridade pelas equipes.
A reportagem também procurou a Polícia Civil da Bahia (PC-BA) para saber se há dados sobre o índice de violência contra motoristas por aplicativo no estado e o número de ocorrências envolvendo esses profissionais. Em nota, a PC informou que não dispõe dos dados solicitados, pois constam em formato de estudo.
o MASSA! também procurou a Associação dos Motoristas e Motociclistas por Aplicativo da Bahia (AMABA) em busca de dados sobre ocorrências de violência envolvendo motoristas parceiros no estado. No entanto, não houve o envio dos dados até o fechamento desta matéria.

