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Estão na bronca - - Atualizado em

Motoristas de app batalham por serviço “cinco estrelas” na Bahia

Associação e condutores exemplificam rotina de dedicação e obstáculos

56 mil motoristas de aplicativos atuam em Salvador
56 mil motoristas de aplicativos atuam em Salvador |  Foto: Reprodução/Magnifc/Ilustrativa

O remédio que chega rápido e resolve o problema, a entrega daquela encomenda tão aguardada, o transporte que te deixa no trabalho com mais agilidade, todas essas tarefas fazem parte das demandas do motorista de aplicativo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024, o país tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços, levantamento que inclui transporte de pessoas, entrega de comida e produtos, serviços gerais e profissionais. Isso é equivalente a 1,9% da população ocupada no setor privado.

No mesmo ano, a região nordeste registrou que 69,4% dos motoristas de aplicativo atuavam no transporte particular de passageiros, excluindo o app de táxi. Os entregadores de comida e produtos somaram 21,3% dos trabalhadores, enquanto o número de condutores que prestam serviço ou profissionais chega a 9,7%. Já a galera que comanda os táxis por meio de app ficou entre os 15%.

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Aos 41 anos, Márcio Santos faz parte desses quase 70% de motoristas que diariamente saem de casa em busca do pão de cada dia. Motivado pelos ganhos e flexibilidade de horários, em 2018 o condutor se jogou 'de cabeça' na profissão.

Há oito anos circulando por diversas ruas de Salvador, o condutor relata que, apesar dos pontos positivos, as broncas ainda complicam a profissão: "Trânsito caótico, condutores desrespeitosos, vias em más condições, tarifas defasadas, custos altos de manutenção da ferramenta são os principais desafios".

Apesar dos perrengues, Márcio afirma que segue motivado com o seu trabalho. Além de gostar de dirigir, o motorista destaca que a possibilidade de escutar novas histórias o impulsiona a continuar.

Relembrando as histórias que já viveu durante as corridas, o rapaz pontuou que uma delas ficou marcada em sua memória. "Dentre várias experiências, creio que quando ajudei uma passageira em trabalho de parto. Graças a Deus deu tudo certo", relembra.

Em prol da categorai

Criada em 2024, a Associação dos Motoristas e Motociclistas por Aplicativo da Bahia (AMABA) tem como objetivo defender os direitos e oferecer benefícios para os seus associados. Na presidência do grupo, Douglas Carvalho menciona que as principais queixas dos 56 mil motoristas de aplicativo que atuam em Salvador engloba a falta de reajuste e a tarifa defasada.

"Estamos há mais de 10 anos sem reajuste da tarifa. O preço do combustível. 2016 era um valor e hoje é outro. As plataformas acabam tirando de cada corrida entre 25% a 40%, prejudicando também os usuários", desabafa.

Douglas é presidente da AMABA
Douglas é presidente da AMABA | Foto: Arquivo Pessoal

Como também é motorista, Douglas sente na pele os perrengues e a insegurança de cada corrida: "A principal situação perigosa que já vivi foi um assalto, já fui assaltado com um passageiro, que na verdade não era passageiro era um bandido e levou o meu carro. Graças a Deus depois consegui recuperar".

Como presidente da associação, o gestor da AMABA espera que o poder público atenda a reclamação da categoria. "A gente espera que o Congresso possa olhar para essa categoria e votar com um projeto bom, com reajuste de tarifa", conclui.

Marco legal

Em julho de 2025, foi criado o Projeto de Lei Complementar 152/25, que define normas para o funcionamento, no Brasil, de serviços de transporte individual de passageiros e de entrega operados por plataformas digitais, como Uber, 99 e InDrive.

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, a proposta estabelece um novo marco legal para o segmento, fixando direitos e deveres para empresas, usuários e trabalhadores.

Ainda segundo a Câmara, a principal inovação é a previsão de contratos por escrito para as relações de trabalho e de prestação de serviço das plataformas digitais com usuários e trabalhadores. Confira o texto completo clicando aqui.

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