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Se atente - 30/04/2026, 08:00 - Rebeca Nascimento

Número de academias cresce e de acidentes dentro delas também

Em Salvador, Samu já registrou 24 ocorrências, em academias, neste ano

Espaços de treinamentos quase triplicaram em uma década
Espaços de treinamentos quase triplicaram em uma década |  Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

Em 10 anos, o número de academias teve um salto histórico no Brasil, passando de 22.581, em 2015, para 62.718, em 2025, de acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil. Isso significa um crescimento no setor, aumento de emprego e uma maior procura por saúde por parte da população. Porém, não adianta ter diversos espaços de treinamentos se eles não oferecem segurança para os alunos.

Recentemente, o caso de Júlia Stefany Cotrim, de 19 anos, chamou atenção do país. Enquanto treinava em uma academia no Distrito Federal, a jovem acabou quebrando os joelhos quando a alça do equipamento de elevação pélvica que ela utilizava se soltou, atingindo-a com a barra de anilhas pesando cerca de 180 quilos.

Em Salvador, não tem sido diferente. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 24 ocorrências de acidentes em academias foram registradas neste ano, incluindo dois óbitos associados a paradas cardíacas.

Para o professor de educação física e diretor da assessoria esportiva Runners Clube, Felipe Chokito, o baixo número de profissionais em boa parte dos espaços de treinamentos faz com que essas situações ocorram com mais frequência.

Felipe Chokito e professor de educação física há quase 20 anos
Felipe Chokito e professor de educação física há quase 20 anos | Foto: Arquivo Pessoal
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O hype das mídias sociais expõe pessoas sem capacidade e orientação a ultrapassar o limite da saúde.

Felipe Chokito, professor de educação física

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"Com o crescimento das academias modelo low cost (baixo custo), no qual mantém um número reduzido de profissionais de educação física e com grande número de clientes nos horários de pico, há um aumento nos índices de acidentes, lesões e desmaios nesses espaços", explicou o profissional.

Além da falta de professores, Chokito acredita que a cultura desenfreada da alta peformance tem contribuído para que esses acidentes ocorram. "O hype das mídias sociais expõe pessoas sem capacidade e orientação a ultrapassar o limite da saúde, gerando insegurança nesses ambientes", alertou.

Visão de aluno

Treinando há cerca de quatro anos, a fonoaudióloga Tássia Cristina, de 32 anos, contou que nunca se machucou pois sempre priorizou o seu bem-estar e a execução correta antes de qualquer performance. Ela também acredita que os aparelhos, em sua maioria, são seguros, porém, o acompanhamento dos profissionais nas academias não é o mais adequado.

Tássia prioriza a segurança na hora de treinar
Tássia prioriza a segurança na hora de treinar | Foto: Arquivo Pessoal



"A supervisão em horários mais cheios deixa a desejar. O ideial seria que as academias tivessem um maior número de professores para esses turnos e dias com maior fluxo de pessoas, assim daria uma confiança maior nos treinos", opinou.

Segurança em primeiro lugar

Felipe Chokito pontuou que a segurança deve começar antes mesmo dos treinos e um passo importante é a anamnese, uma espécie de entrevista feitas por profissionais da saúde, com o objetivo de coletar o histórico clínico, hábitos e queixas dos alunos. Além disso, é importante realizar exames, em especial os cardiológicos, para saber se há aptdão para a rotina de treino.

Treinos devem ser orientados por profissionais capacitados
Treinos devem ser orientados por profissionais capacitados | Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

Outra orientação do professor é procurar um espaço de treinamento adequado. "Buscar uma academia com um bom conceito e sempre ser orientado por um profissional habilitado pelo Conselho Regional de Educação Física (CREF)", cravou.

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