
Professores de algumas escolas particulares baianas deixaram as salas de aula nesta terça-feira (9) para uma assembleia promovida pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA), que terminou em deflagração de estado de greve. Entre as principais temáticas discutidas pela categoria estão as propostas dos setor patronal em reduzir o recesso junino e mudar algumas políticas de bolsas de estudo para os filhos dos profissionais.
Para Anna Cristina Croesy, diretora do SINPRO-BA, os professores seriam prejudicados caso as medidas sugeridas pelo setor patronal fossem aderidas.
“O professor que tem um filho hoje tem 90% de bolsa para o primeiro filho e 85% para os demais. Eles querem reduzir isso para um percentual. Se você dá 10 horas numa escola, você vai ter x% de bolsa. Chega até 40% de bolsa! Pense aí um professor especialista que dá aula de artes, de música, de educação física, que trabalha em três ou quatro escolas e não vai ter direito nem a bolsa do filho na escola que ele ensina”, disse em entrevista ao MASSA!.

Anna Cristina Croesy ainda defendeu que o recesso de São João seja mantido por bem da saúde mental dos próprios profissionais, ainda que na convenção o número sugerido seja menor.
"A gente hoje tem um recesso de 19 dias, na nossa convenção tem no mínimo 15. A gente pede 21 dias porque a gente entende que recesso é cláusula de saúde. O professor precisa parar, o professor está adoecendo. A gente recebe no sindicato semanalmente professores com Burnout, com crise de ansiedade, com depressão, crise do pânico, tudo isso devido à pressão que sofre em sala de aula e dentro das escolas", falou.
Representante das escolas particulares explica propostas
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE-BA), que representa as escolas particulares, se pronunciou sobre as motivações por trás das alterações, em nota enviada ao MASSA!.
“As proposições patronais contemplam a adequação do benefício da bolsa de estudo, buscando critérios viáveis e sustentáveis para a preservação do direito a longo prazo, bem como a preservação do período mínimo de 15 dias de recesso escolar, visando apenas harmonizar as datas de início de acordo com a realidade e o planejamento de cada instituição de ensino”, aponta o texto.
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Estado de greve
Até o momento, cinco rodadas de negociação já foram realizadas, mas não houve acordo entre as partes. Uma votação foi realizada entre professores e membros do SINPRO-BA, no fim da manhã desta terça-feira (9), e decidiram deflagrar o estado de greve.

Nesta quarta-feira (10), o SINEPE-BA vai realizar uma assembleia geral extraordinária com representantes das escolas associadas para "avaliar o andamento das tratativas e alinhar as diretrizes".
Já na próxima segunda-feira, dia 15 de junho, haverá uma nova reunião entre os dois sindicatos para tentar firmar um acordo. Uma nova paralisação está prevista para a quarta, dia 17, para deliberação da categoria sobre a deflagração de greve.
*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
