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Arte Urbana -

Salvador sedia encontro que pode colocar hip-hop no mapa turístico

Reunião discutiu o potencial da arte urbana como um vetor turístico da cidade

Encontro aconteceu no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino
Encontro aconteceu no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino |  Foto: José Simões/Ag. A TARDE

A cultura da periferia está sendo reconhecida como uma importante ferramenta de turismo na capital baiana. Na manhã desta quarta-feira (26), a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Relações Internacionais da Câmara Municipal de Salvador realizou uma audiência com o tema “Hip-Hop e Turismo Cultural em Salvador”. Sendo aberta ao público, a reunião discutiu o potencial da arte urbana como um vetor turístico da cidade.

O encontro aconteceu no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, no Centro Histórico, e reuniu membros do poder público, representantes do movimento hip-hop, artistas e agentes de turismo. Foram debatidas estratégias de valorização, fomento e divulgação das manifestações artísticas de Salvador. O vereador João Cláudio Bacelar (Podemos), presidente da comissão e responsável pela convocação da audiência, comentou o papel do hip-hop para o fortalecimento do turismo e desenvolvimento econômico da Bahia.

Vereador João Cláudio Bacelar
Vereador João Cláudio Bacelar | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Com isso, a gente vai movimentar a economia, gerar mais emprego, trazer pessoas de outras cidades e países para virem aqui ver essa arte que produzimos aqui, que nossa periferia produz. Isso movimenta o turismo, movimenta a cadeia econômica”, afirmou João Bacelar, em entrevista ao MASSA!.

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Além de gerar mais empregos, a cultura periférica também desempenha uma função fundamental na construção da identidade soteropolitana. Para o vereador, o movimento é responsável por gerar dignidade, cidadania e construir oportunidades para os cidadãos. “É uma forma das pessoas aprenderem a desenvolver um pensamento crítico, se identificarem e criarem senso de pertencimento. Com isso, a gente fortalece a identidade do soteropolitano, que é uma das características que tornam Salvador única”, detalhou.

Mesmo que faça parte da espinha dorsal da capital baiana, a arte urbana ainda não recebe a devida valorização. A assembleia foi um importante passo para a transformação dessa realidade. “Existe uma falta de reconhecimento, uma falta de visibilidade. Nosso intuito é justamente esse, reunir as pessoas que fazem o hip-hop acontecer para trazer ideias, sugestões, para dar mais força, visibilidade e reconhecimento para esse movimento”, explicou.

Ainda que esteja dando pequenos passos em direção a um futuro melhor, o movimento ainda precisa trilhar uma longa caminhada. Um de seus principais desafios está relacionado à falta de investimento. “Nossos desafios são, principalmente, ligados à questão de espaço para exercer nosso trabalho, visibilidade e investimento financeiro nos artistas, produtores e pessoas que fazem parte da cultura hip-hop”, apontou a DJ Nai Kiesse.

Trabalhando com música há 15 anos e integrando o hip-hop há duas décadas, Nai Kiesse foi uma das representantes que conduziu a assembleia. Dentre as políticas públicas que devem ser implementadas na capital, a artista enfatizou a criação de novos editais públicos.

DJ Nai Kiesse
DJ Nai Kiesse | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Precisamos de mais editais voltados para a cultura hip-hop. Acho que essa é uma política pública que pode auxiliar muito os artistas e produtores da cena em nossa cidade. Penso também que precisamos da criação desse espaço para diálogo, para conseguirmos ocupar esses lugares que são públicos”, defendeu.

A audiência representa a construção de uma ponte entre o poder legislativo e os artistas que ocupam as ruas da metrópole. Well Santiago, representante do Coletivo Sociocultural Fábrica de Rimas e da Rede Baiana de Hip-Hop, definiu o momento como essencial para a cena cultural de Salvador. “O hip-hop já deixou de ser uma cultura amplamente marginal e percebemos ela em diversos lugares. É importante esse vínculo com o poder público e com a política para que a gente consiga posicionar o hip hop como uma frente que se destaca na arte e educação”, destacou.

Well Santiago, representante do Coletivo Sociocultural Fábrica de Rimas e da Rede Baiana de Hip-Hop
Well Santiago, representante do Coletivo Sociocultural Fábrica de Rimas e da Rede Baiana de Hip-Hop | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Segundo Well, o objetivo agora é expandir o diálogo para além dos muros da capital. As próximas ações serão focadas em trazer artistas de outras cidades para participar dos debates e apresentar soluções mais abrangentes para o estado.

“Depois dessa assembleia, o que se espera é que a gente acompanhe esses desdobramentos. Eu espero que a gente consiga escalonar esse diálogo para a esfera estadual, para que a gente consiga fazer uma assembleia maior, com vários artistas do estado, para pautarmos o hip-hop para além de Salvador”, finalizou.

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