
Os atos de vandalismo contra equipamentos públicos em Salvador têm gerado um impacto significativo aos cofres municipais. De acordo com a Prefeitura, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), os gastos com reparos decorrentes de depredação e retrabalho ultrapassam R$ 500 mil por ano. O valor seria suficiente para a construção de uma praça de médio porte ou de duas praças menores na capital baiana.
Entre os principais problemas registrados estão o uso inadequado de brinquedos em praças, furtos de materiais e depredação de equipamentos urbanos. As passarelas também são alvo frequente de danos, com furtos de barras de proteção e cabos de energia, além de danos em pisos, tetos e luminárias, incluindo a quebra ou deslocamento de coberturas.
Diante da situação, a Desal tem investido em equipamentos mais resistentes para reduzir os prejuízos causados pela ação de vândalos. O presidente do órgão, Virgílio Daltro, reforçou a necessidade de conscientização da população para preservar os espaços públicos.
“Eu faço um apelo para conscientizar o cidadão de que a praça é uma forma de a Prefeitura devolver o espaço público à população. Queremos que esse espaço seja utilizado por todos, crianças e adultos, pois implantamos equipamentos e mobiliários para diferentes faixas etárias. Quanto mais o cidadão cuidar, mais tempo terá o equipamento à disposição e mais praças e espaços públicos poderão ser construídos. Assim, em vez de gastar com reparos, poderemos investir em novos equipamentos”, afirmou.
Largo do Papagaio
Um exemplo recente ocorreu no Largo do Papagaio, entregue à população no dia 13 de janeiro e vandalizado apenas uma semana depois. Segundo Daltro, o dano ocorreu devido ao uso inadequado de um balanço destinado exclusivamente a pessoas com deficiência.
“Foi um caso que contou com a solidariedade das mães. No vídeo feito por moradores, é possível ver várias pessoas utilizando o brinquedo que deveria ser usado apenas por cadeirantes”, relatou.
Equipes de manutenção da Desal atuam diariamente em diferentes pontos da cidade para reparar danos em equipamentos públicos. Os serviços atendem solicitações registradas na Ouvidoria e em outros canais da Prefeitura, além de demandas do Executivo e denúncias divulgadas por veículos de comunicação e redes sociais.
A Desal é considerada a única fábrica pública de mobiliário urbano da América Latina e produz cerca de 50 mil peças por ano. Entre os itens fabricados estão bancos pré-moldados, mesas de concreto, banquinhos, manilhas, mesas de pingue-pongue e futvôlei, além de estruturas para quadras de basquete e campos de futebol. O órgão também é responsável pela manutenção diária das passarelas do município.
Além das praças e passarelas, a rede de iluminação pública também tem sido alvo de vandalismo e furtos. Um dos casos recentes ocorreu na Rua Luís Eduardo Magalhães, no KM 17, em Itapuã, onde a Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip) realizou uma operação para repor e reforçar a infraestrutura elétrica após sucessivos registros de danos.
Somente no ano passado foram registradas nove ocorrências de manutenção no local. Dessas, sete envolveram reposição de materiais furtados ou danificados, incluindo a reinstalação de mais de dois mil metros de cabos, 19 luminárias de LED, quatro postes de fibra e 18 braços metálicos. As intervenções representaram um custo superior a R$ 80 mil para os cofres públicos.
Nova intervenção
Para tentar reduzir novos furtos, a Prefeitura realizou uma nova intervenção estrutural na área. A ação incluiu a instalação de 17 postes circulares de concreto com 14 metros de altura e dois postes de nove metros, além de 18 luminárias LED de alta potência. Também foi implantada uma nova rede aérea com cerca de mil metros de extensão, instalada a aproximadamente 12 metros de altura e reforçada com cabo de aço para dificultar novas ações criminosas.
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O diretor de Iluminação Pública de Salvador, Ângelo Magalhães, destacou que o trabalho da Prefeitura é contínuo, mas ressaltou que a colaboração da população é essencial para combater esse tipo de crime.
“Nosso trabalho para manter Salvador iluminada e garantir mais segurança e qualidade de vida para a população é contínuo. Mas o furto e o vandalismo desses equipamentos geram prejuízo direto aos cofres públicos e impactam a vida de quem depende dessa iluminação. Por isso, é fundamental que a população denuncie”, afirmou.
A Guarda Civil Municipal também atua no combate ao vandalismo e ao furto de fios, realizando patrulhamento diário em diversos bairros da capital. A população pode colaborar denunciando essas ocorrências pelo telefone (71) 99623-4955.
Também é possível solicitar manutenção ou registrar denúncias por meio do Disque Salvador 156, do portal Salvador Digital ou pelo WhatsApp da Prefeitura, no número (71) 8791-3420, principalmente em casos críticos, como apagões ou postes danificados.
