
Uma das principais novidades da Copa do Mundo de 2026 não está relacionada a táticas, estrelas ou tecnologia. As pausas obrigatórias para hidratação, implantadas pela Fifa em todas as partidas do torneio, passaram a influenciar diretamente o andamento dos jogos e já geram debates entre técnicos, jogadores e torcedores.
Diferentemente de edições anteriores, a parada acontece independentemente do clima ou da temperatura. O árbitro interrompe a partida aos 22 minutos de cada tempo, transformando, na prática, cada jogo em quatro períodos distintos. A medida foi adotada como parte dos protocolos de proteção aos atletas diante dos riscos de calor extremo previstos para o Mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Mas os primeiros jogos do torneio mostraram que os efeitos vão além da hidratação.
No empate entre Brasil e Marrocos, por exemplo, a Seleção Brasileira encontrava dificuldades para controlar a partida nos minutos iniciais. O gráfico de momentum do confronto mostra um domínio marroquino antes da parada do primeiro tempo. Após a interrupção, porém, o Brasil conseguiu equilibrar as ações, cresceu ofensivamente e abriu o placar com Vini Jr. aos 31 minutos.
O fenômeno também apareceu em outros confrontos. Na goleada da Suécia por 5 a 1 sobre a Tunísia, o jogo era equilibrado em vários momentos, mas os suecos cresceram consideravelmente na reta final do segundo tempo e transformaram uma vitória confortável em goleada.
Já no empate por 2 a 2 entre Holanda e Japão, os gráficos apontam mudanças de domínio ao longo da partida. Os japoneses tiveram momentos de superioridade no segundo tempo, mas a Holanda voltou a controlar as ações após as interrupções. No entanto, mesmo com isso, o Japão conseguiu buscar o empate.
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Na vitória da Costa do Marfim sobre o Equador por 1 a 0, os marfinenses também registraram seus momentos de maior pressão ofensiva após a parada da etapa final, consolidando o triunfo em um duelo bastante equilibrado.
Entre a saúde e a estratégia
A Fifa argumenta que a medida foi criada para preservar a saúde dos atletas em uma Copa que pode ter até um quarto de suas partidas disputadas sob condições consideradas perigosas por especialistas em clima e medicina esportiva.
Ao mesmo tempo, treinadores vêm utilizando as pausas como verdadeiros "mini-intervalos" para corrigir posicionamentos, reorganizar equipes e transmitir instruções táticas sem precisar esperar o intervalo oficial.
Por outro lado, há quem critique a mudança. Jogadores e torcedores afirmam que as interrupções quebram o ritmo natural do futebol, alteram o momento psicológico das partidas e podem beneficiar equipes que estavam sendo pressionadas. Além disso, o fato de as pausas abrirem espaço para inserções comerciais em algumas transmissões aumentou a polêmica em torno da medida.
“Acho que as pausas para hidratação são algo um pouco curioso porque eu obviamente estava assistindo a quase todos os jogos... Toda vez que há uma pausa para ir aos comerciais, isso não é algo de que eu goste muito”, disse Virgil van Dijk, capitão da Holanda.
