
A CBF decidiu implementar imediatamente novas regras de arbitragem no futebol brasileiro. As mudanças, aprovadas em reunião com clubes das Séries A e B nesta segunda-feira (10), passam a ser aplicadas nas competições nacionais e têm como principal objetivo diminuir as paralisações e aumentar o tempo de bola rolando.
As medidas foram discutidas durante a terceira reunião promovida pela entidade com clubes para tratar da criação da Liga do Futebol Brasileiro. A CBF também iniciou um ciclo de encontros para discutir o regulamento da temporada 2027.
As novas regras são baseadas nas alterações aprovadas pela International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol. Entre as novidades estão limites de tempo para goleiros, laterais, tiros de meta e substituições, além de mudanças no atendimento médico, na comunicação com a arbitragem e no uso do VAR.
Oito segundos para o goleiro
Uma das mudanças que mais deve chamar atenção é o limite para o goleiro permanecer com a bola nas mãos.
Agora, o goleiro terá oito segundos para soltar a bola. O árbitro fará uma contagem visual dos últimos cinco segundos.
Caso o goleiro ultrapasse o limite, o adversário será beneficiado com um escanteio, cobrado do lado mais próximo de onde ocorreu a infração.
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A medida busca combater a "cera" e evitar que os goleiros segurem a bola por muito tempo para diminuir o ritmo da partida.
Cinco segundos para lateral
Quando o jogador estiver com a bola nas mãos e houver uma demora deliberada para fazer a cobrança, o árbitro poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos.
A medida faz parte do pacote criado pela IFAB para combater atrasos nas reposições de bola.
Cinco segundos para o tiro de meta
Após o árbitro autorizar a cobrança, haverá uma contagem visual de cinco segundos caso o reinício esteja sendo deliberadamente atrasado.
Se o goleiro ultrapassar o período, a equipe adversária será beneficiada com um escanteio, conforme o protocolo adotado para combater a perda de tempo.
Substituição terá limite de 10 segundos
O jogador que for substituído terá 10 segundos para deixar o campo, normalmente pelo ponto mais próximo da linha lateral.
Se ultrapassar o período, o substituto não poderá entrar imediatamente. A entrada só poderá acontecer na primeira paralisação depois de um minuto.
A regra foi incorporada à edição 2026/27 das Leis do Jogo da IFAB.
Jogador atendido terá que sair por um minuto
Outra novidade está relacionada aos atendimentos médicos. Quando um jogador receber atendimento dentro do campo, ele deverá deixar o gramado e permanecer fora por um minuto antes de retornar, salvo as exceções previstas no protocolo.
A intenção é evitar que atendimentos sejam utilizados para interromper o jogo de forma estratégica e, ao mesmo tempo, preservar o atendimento aos atletas.
E se o goleiro precisar de atendimento?
Quando o atendimento for realizado no goleiro, a equipe poderá indicar um jogador de linha para cumprir o período de um minuto fora de campo, conforme o protocolo.
A mudança faz parte do conjunto de medidas criado para reduzir interrupções e preservar o ritmo das partidas.
Só o capitão poderá falar com o árbitro
A CBF também adotará o princípio de "somente o capitão" em determinadas situações.
A ideia é que apenas o capitão seja o interlocutor da equipe com o árbitro, evitando que vários jogadores cerquem a arbitragem para reclamar de uma decisão.
A IFAB já vinha utilizando o protocolo em competições e estabeleceu que ele se tornará obrigatório em todas as competições a partir de 1º de julho de 2027.
VAR poderá revisar segundo amarelo que termina em expulsão
O árbitro de vídeo também terá uma possibilidade maior de intervenção. O VAR poderá auxiliar em situações nas quais um segundo cartão amarelo aplicado de maneira claramente equivocada resulte em expulsão. A mudança foi aprovada pela IFAB em 2026.
Na prática, a tecnologia poderá ser utilizada para corrigir uma decisão que tenha levado um jogador a receber o segundo amarelo e, consequentemente, ser expulso.
E a regra sobre escanteio?
A IFAB também aprovou a possibilidade de revisão de um escanteio concedido de maneira claramente equivocada, mas com uma condição: a revisão deve estar diretamente relacionada a uma jogada que resulte em gol ou pênalti e não pode atrasar o reinício.
Essa possibilidade é tratada como opção para as competições e foi aprovada para implementação em 2027.
CBF quer mais tempo de bola rolando
Por trás das mudanças está uma preocupação da CBF: aumentar o tempo de bola em jogo.
Segundo levantamento apresentado pela entidade, a Série A registrava, em 2026, média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida, tempo abaixo da meta de 60 minutos estabelecida pela FIFA.
O estudo "Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro", elaborado com dados da OPTA Stats Perform, identificou interrupções em áreas como faltas, reposições, atendimentos médicos e checagens do VAR.
A CBF estima que ajustes nesses pontos podem recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por partida.
Além disso, a entidade estima que o pacote de medidas adotado a partir das regras da IFAB pode representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de jogo por partida.
CBF vai investir R$ 200 milhões na arbitragem
As mudanças fazem parte de um projeto maior de modernização da arbitragem brasileira.
A CBF prevê R$ 200 milhões em investimentos na arbitragem entre 2026 e 2027, incluindo equipamentos e treinamento dos profissionais.
O presidente da entidade, Samir Xaud, afirmou que a implementação precisa ser construída em conjunto com clubes, federações e demais envolvidos no futebol brasileiro.
A próxima reunião do conselho técnico está prevista para 14 de setembro e terá como tema principal a organização das competições.

