
Boxe e Bahia são duas palavras que caminham juntas, com títulos mundiais, campanhas históricas e muita representação dentro do ringue. E, neste celeiro baiano, surge mais um pugilista de alto nível nascido em Conceição de Coité: Wanderley “Holyfield” de Souza Pereira, tetracampeão brasileiro, campeão sul-americano, prata no Mundial e representante da seleção brasileira, chegando às Olimpíadas de Paris em 2024.
“Eu comecei no boxe muito cedo, através de um projeto social, Oásis Boxe, treinado pelo professor Marcos. Desde que comecei a treinar, junto do meu irmão, já senti que era para mim, ia seguir a carreira. Com 16 anos, fui para o interior de São Paulo, em São Carlos, aprimorar meus treinamentos, ficar em alojamento. Comecei a disputar os campeonatos, fui convocado para fazer uma base juvenil na seleção brasileira. Depois voltei para a Bahia, mudei de equipe, fui para o Corinthians, e aí fui convocado pra fazer parte da seleção brasileira permanentemente. Desde lá só história”, detalhou o boxeador sobre a sua trajetória, destacando que agora mora em São Paulo e sente muita falta de casa. “A Bahia é minha casa. O que eu sinto mais falta é da minha família. A família é o lugar de paz”, completou.
Com muita confiança e determinação, Holyfield relembrou dois dos melhores momentos da sua carreira, a chegada à seleção e a experiência nos Jogos Olímpicos. “Ser convocado para a seleção foi um sonho realizado. Desde que eu comecei a treinar, eu já tinha certeza, vou fazer história. E ser convocado foi uma confirmação disso, disputar as Olimpíadas é um prazer imenso, fiquei feliz pra caramba. Os Jogos Olímpicos eram uma meta, alcançar foi uma emoção de alívio com felicidade, de poder viver esse momento que todo atleta quer viver”, afirmou o baiano.
Porém, não é só de vitórias e nocautes que um lutador vive. Atrás dos títulos e medalhas, são muitas lutas da vida que um atleta precisa superar, e não foi diferente com Holyfield, que cogitou parar a carreira. “O momento mais difícil foi na pandemia. Eu cheguei a pensar em parar. Já estava mais velho, 18 para 19 anos, precisava arrumar um trampo, ainda não tinha ganhado dinheiro com o boxe. Falei: ‘esse é o último ano que eu vou tentar isso aqui’, e foi quando eu fui convocado para a seleção brasileira, foi um dos momentos mais difíceis”, revelou o pugilista.

Apelido tem história
Quem nunca ouviu a histórica música “Ruma, ruma Holyfield”, que foi escrita para o famoso ex-pugilista baiano, Reginaldo Holyfield? Este sobrenome de muito peso e história no boxe surgiu no fim do século 20, com o lendário norte-americano Evander Holyfield, campeão mundial, que rivalizava com Mike Tyson, outra lenda do esporte. E foi justamente por essa rivalidade, inspirado na tradicional canção, que o apelido também pegou em Wanderley.
“Meu irmão, antes de começar o boxe, era chamado de Mike Tyson. Quando eu comecei a treinar, tinha um moleque que era de Salvador, ele morava no mesmo bairro que o Reginaldo Holyfield. Aí nos treinos eu era empolgadão, queria muito treinar, fazia tudo, e esse cara ficava toda hora cantando a música “Ruma, ruma Holyfield” pra mim e começou a pegar. Começaram a me chamar assim e eu aceitei de boa. É uma ótima referência”, exaltou o atleta.

Olimpíadas estão na mira
Agora mirando o futuro, Holyfield tem as Olimpíadas de Los Angeles em 2028 como meta, e a luta no ringue e fora dele, já começou. O baiano passou pelo Torneio Internacional Strandja, em Sófia, na Bulgária, e mesmo saindo sem o pódio, aprovou o desempenho. “Perdi na disputa da medalha para o atual campeão mundial, e ganhei do ex-campeão. Saí satisfeito não com o resultado, mas com o meu desempenho, provou que eu estou entre os tops do mundo. O foco é seguir melhorando, mirando a classificação para as Olimpíadas”, projetou o pugilista brasileiro.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana
