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Outro mundo! - 09/06/2026, 17:57 - Vinicius Portugal

Tempos mais simples: como era o mundo no Penta do Brasil

Há 24 anos, o Brasil conquistava sua última Copa do Mundo; relembre como eram a tecnologia, o futebol e a vida dos brasileiros naquela época

Brasil derrotou a Alemanha para conquistar o penta
Brasil derrotou a Alemanha para conquistar o penta |  Foto: Antonio Scorza/AFP

"É penta! É penta! É penta!". A narração histórica de Galvão Bueno ainda arrepia qualquer torcedor brasileiro. Mas a verdade é que já se passaram 24 anos desde a última vez que a Seleção Brasileira levantou a taça da Copa do Mundo.

Em 30 de junho de 2002, o Brasil derrotou a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo Fenômeno, e conquistou o pentacampeonato mundial no Japão. Foi a primeira Copa disputada na Ásia e também a primeira realizada em dois países, Japão e Coreia do Sul.

O que muita gente não percebe é que boa parte dos jovens que hoje lotam estádios, fazem memes nas redes sociais e, discutem futebol na internet, sequer tinha nascido quando Cafu ergueu a taça.

E o mundo daquela época era quase outro planeta.

Adeus, WhatsApp. Olá, telefone fixo

Em 2002, ninguém mandava áudio no WhatsApp porque o aplicativo nem existia. Aliás, nem WhatsApp, Instagram, TikTok, Facebook ou Orkut faziam parte da vida dos brasileiros.

Quem queria conversar pela internet usava MSN, Messenger ou ICQ. E havia um detalhe cruel: a internet era discada.

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Para entrar na rede, o computador precisava ocupar a linha telefônica da casa. Se alguém resolvesse fazer uma ligação, a conexão caía na mesma hora. O famoso barulho da internet conectando virou uma das marcas daquela geração.

O celular era um tijolão

Esqueça câmera de alta resolução, reconhecimento facial ou inteligência artificial. O sonho de consumo em 2002 era um Nokia com o jogo da cobrinha. Os celulares tinham telas minúsculas, quase não acessavam internet e mandar uma mensagem de texto custava dinheiro. Fazer uma videochamada? Parecia coisa de filme de ficção científica.

Tijolão era a febre do momento
Tijolão era a febre do momento | Foto: Divulgação/Nokia

As ruas viravam estádios

Talvez a maior diferença entre 2002 e os dias atuais estivesse fora das telas. Quando a Copa chegava, os bairros inteiros entravam no clima. As ruas eram pintadas de verde e amarelo, bandeirolas cruzavam quarteirões e os vizinhos se reuniam para decorar cada pedaço da comunidade.

Por causa do fuso horário do Japão e da Coreia do Sul, muita gente acordava ainda de madrugada para assistir às partidas. Escolas alteravam horários, empresas flexibilizavam expedientes e famílias inteiras se reuniam na frente da televisão.

Imagem ilustrativa da imagem Tempos mais simples: como era o mundo no Penta do Brasil
Foto: Reprodução/Reddit

O futebol também era diferente

Dentro das quatro linhas, várias cenas comuns em 2002 desapareceram com o passar dos anos.

Era normal ver jogadores usando a camisa por dentro do calção durante os 90 minutos. Os uniformes eram mais largos e as chuteiras bem menos tecnológicas do que as atuais.

Outra curiosidade é que aquela Copa foi a última antes da punição automática para quem tirasse a camisa na comemoração de um gol. Hoje o cartão amarelo é obrigatório, mas a regra só passou a valer após o Mundial daquele ano.

Outra mudança foi no 'gol de ouro'. Caso a partida terminasse empatada e fosse para a prorrogação, quem fizesse o gol primeiro vencia o confronto, que não precisava completar 30 minutos extras.

Rivaldo costumava comemorar os gols tirando a camisa
Rivaldo costumava comemorar os gols tirando a camisa | Foto: ANTONIO SCORZA / AFP

A arbitragem também não contava com VAR, tecnologia de impedimento semiautomático ou revisões em vídeo. Tudo era decidido na hora.

A Seleção que virou lenda

A campanha brasileira ajuda a explicar por que o penta continua tão vivo na memória do torcedor.

O time comandado por Luiz Felipe Scolari foi campeão invicto. Ronaldo terminou como artilheiro da Copa com oito gols, enquanto Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho formaram um dos ataques mais temidos da história recente do futebol mundial.

Do gol defendido por Marcos ao erro de Oliver Kahn na final contra a Alemanha, aquele elenco entrou definitivamente para a galeria dos maiores times da Seleção.

Brasileirão tinha mata-mata e Robinho era promessa

Quem acompanha futebol hoje talvez nem imagine, mas em 2002 o Campeonato Brasileiro era completamente diferente.

A competição ainda não era disputada por pontos corridos. Os clubes jogavam uma fase classificatória e depois avançavam para o mata-mata, sendo essa a última edição nesse formato.

Aquele Brasileirão ficou marcado pelo surgimento dos "Meninos da Vila". Liderado por Robinho e Diego, o Santos conquistou o título nacional ao derrotar o Corinthians na decisão.

À época, Robinho ainda era uma promessa do futebol brasileiro. Hoje, seu nome não é só lembrado pelo talento dentro de campo, mas pela condenação por abuso sexual.

Robinho foi um dos destaques do título do Santos em 2002
Robinho foi um dos destaques do título do Santos em 2002 | Foto: AFP

E a dupla Ba-Vi?

Enquanto o Brasil comemorava o pentacampeonato, Bahia e Vitória também viveram uma temporada movimentada, marcada por títulos e protagonismo regional.

O Bahia conquistou a Copa do Nordeste pela segunda vez consecutiva. O Tricolor levantou a taça justamente em cima do maior rival, o Vitória, em uma final histórica. Após vencer o primeiro jogo por 3 a 1 na Fonte Nova, segurou um empate por 2 a 2 no Barradão e ficou com o título regional. O elenco tinha nomes como Sérgio Alves, Robgol, Nonato e o jovem Daniel Alves, que começava a despontar para o futebol nacional.

Já o Vitória deu o troco no cenário estadual. O Rubro-Negro conquistou o Campeonato Baiano de 2002 ao derrotar o Fluminense de Feira na decisão do chamado Supercampeonato Baiano. Depois de um empate sem gols no primeiro confronto, o Leão aplicou uma goleada por 5 a 0 no jogo de volta e garantiu mais uma taça para sua galeria. O time contava com jogadores como Nadson, Fernando, Leandro Ávila e Marcelo Heleno.

No Campeonato Brasileiro, porém, a dupla baiana ficou longe da briga pelo título nacional. O Vitória terminou a primeira fase na 15ª colocação, enquanto o Bahia ficou em 19º lugar. Nenhum dos dois conseguiu avançar para a fase decisiva do torneio.

O mundo mudou. O hexa não veio.

De lá para cá, o mundo ganhou smartphones, redes sociais, streaming, Pix e inteligência artificial.

O Brasil trocou o MSN pelo WhatsApp, a TV de tubo pelas telas gigantes e os álbuns de fotografia pelas galerias do celular.

Bahia e Vitória passaram por rebaixamentos, acessos, títulos e transformações profundas. O Brasileirão abandonou o mata-mata e adotou os pontos corridos. O futebol ficou mais rápido, mais tecnológico e mais globalizado, mas uma coisa continua igual: a espera pelo hexa.

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