
Semana de clássico baiano é sempre especial. O estado fica dividido entre os gigantes Bahia e Vitória, com provocações, promessas, apostas, palpites… Tudo acaba virando debate entre tricolores e rubro-negros antes, durante e depois que a bola rola. Porém, o torcedor Marcos Kiss, de 50 anos, prefere não escolher um dos dois lados e acabou indo em um caminho diferente nesta rivalidade: ser um ‘torcedor Ba-Vi’.
Fã de carteirinha tanto do Esquadrão quanto do Colossal, o motorista por aplicativo revelou que o seu “coração dividido” começou desde a infância, por influência do pai e do tio, em segredo. “Esse amor surgiu quando eu ainda era pequeno. Meu pai torcia para o Bahia e me levava na antiga Fonte Nova para ver o time. Mas eu tinha um tio também, que eu passava muito tempo com ele, que era Vitória, e ele também começou a me levar para ver os jogos. Então eu fui crescendo assim até meu pai descobrir. Quando ele descobriu, questionou meu tio, mas de forma sempre saudável, e aí decidiram que iam continuar me levando, e quando eu crescesse eu iria escolher um lado”, detalhou o tricolor e também rubro-negro ao MASSA!.
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Acabou que esse combinado custou caro. Da antiga Fonte Nova até os dias atuais, Marcos acabou não decidindo qual lado da cidade iria apoiar, se considerando um “torcedor Ba-Vi”. Diante desta novidade futebolística, com a torcida para os maiores rivais baianos, Kiss relata que sempre recebe perguntas sobre a maneira que escolher torcer, mas defende seu lado, comparando com os “torcedores mistos” de equipes de outros estados. “Geralmente o questionamento vem de pessoas que não me conhecem e descobrem que eu torço para os dois times. Dizem que eu sou maluco, bipolar, que não sou certo. Mas é gosto, isso é futebol, é esporte, é amor, paixão, não é escolha. Tem várias pessoas que torcem para dois times, um da Bahia e outro do eixo. Já eu escolhi os dois times da minha terra”, afirmou o motorista por aplicativo.
Com esse amor desde pequeno, o tricolor/rubro-negro nem sempre esteve confortável para expor a sua torcida pela dupla. Antes de revelar abertamente que apoia a dupla Ba-Vi, ele tinha medo de sofrer represálias das torcidas, mas superou este obstáculo. “Eu tinha medo das torcidas fazerem alguma coisa. No começo eu ia com camisa neutra, não queria mostrar a minha identidade. Mas aí parentes próximos me incentivaram a vestir a camisa dos dois. Me tornei sócio-torcedor dos dois clubes, vou para todos os jogos. Eu sou um torcedor da paz, valorizo o amor pelos times. Já me reconheceram no estádio e não teve problema nenhum”, explicou.

No entanto, como todo clássico, uma hora as equipes precisam se enfrentar. E a 508ª vez está batendo na porta, com a dupla Ba-Vi duelando neste domingo (23), a partir das 16h, no estádio Barradão, pelo Campeonato Brasileiro. Neste dia, Marcos prefere fazer um “ritual”. “Eu me isolo. Me desconecto de rede social, televisão, placar virtual, eu rodo aplicativo e me isolo. Duas horas depois eu ligo o celular só para ver o resultado, mas o ânimo de torcer para um ou para o outro eu não consigo, não dá para torcer contra um time que você ama. É como dar prioridade a um filho que você ama contra o outro. Não tenho torcida, que vença o melhor”, explicou Kiss.
Palpite pro clássico
Apesar do coração dividido, o torcedor Ba-Vi também pesa a razão, e fez a sua análise e o seu palpite para o clássico do fim de semana. “Pelo atual momento das equipes. Com o Vitória dando liga, Jair Ventura mexendo bem no time, jogando no Barradão, com aquela atmosfera, a torcida apoiando. E o Bahia muito previsível, em má fase, com muitas críticas. O Vitória é favorito, mas não deixa de ser um clássico, deixa tudo imprevisível e nivelado”, indicou.
Eu aposto no Vitória ganhando esse jogo, mas não consigo dar palpite, aí mexe comigo
Marcos Kiss
Sócio dos dois clubes
Talvez como maior exemplo dessa “torcida de exceção”, Marcos é sócio-torcedor da dupla Ba-Vi há anos, porém, suspendeu o plano do Esquadrão em fevereiro de 2026, por um motivo que vem sendo apoiado por outros tricolores. “Eu suspendi o sócio do Bahia em forma de protesto. No dia seguinte à eliminação do clube contra o O’Higgins, na Pré-Libertadores. Para mostrar a insatisfação do torcedor com o técnico Rogério Ceni e a atual gestão. Quando você mexe no bolso, a empresa muda a atitude”, defendeu Kiss.

Com isso, o torcedor não vai à Arena Fonte Nova acompanhar o Bahia desde 25 de fevereiro de 2026. No entanto, o ‘Sou Mais Vitória’, plano rubro-negro, segue em dias, valorizando a garra da equipe de Jair Ventura, mesmo seguindo o amor pelo Esquadrão. “O do Vitória continua ativo. Vou a todos os jogos. Menos no Ba-Vi. Não vou deixar o Bahia de lado. Eu valorizo o bom trabalho da diretoria do Leão, além da garra e vontade do time. Dá orgulho de assistir”, finalizou Marcos.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana

