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Flipelô tem livros baratos e autores independentes roubam a cena

Evento no Pelourinho reúne obras com preços populares

Artur Soares
Artur Soares
Flipelô tem opções de livros para todos os gostos e bolsos
Flipelô tem opções de livros para todos os gostos e bolsos |  Foto: José Simões/Ag. A Tarde

Conversas sobre literatura, autores de diferentes gêneros e um cheirinho de livro novo por toda parte. Na quinta-feira (6), rolou o segundo dia da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) e a programação foi recheada para o público baiano. A 10ª edição do evento, que acontece até o domingo (9), é a oportunidade perfeita para quem deseja conhecer novos escritores sem desembolsar muita grana.

Apostando na variedade, a feira reúne obras com valores de até R$ 15. Na Vila Literária, espaço dedicado principalmente para autores independentes, expositores conquistaram a clientela com livros mais baratos que o convencional. “A gente tem que tentar concorrer com as grandes editoras. Então, eu tento colocar um preço acessível para as pessoas conhecerem nosso trabalho e, se ela gostar, ela volta para comprar mais”, disse o quadrinista Ede Galileu em entrevista ao MASSA!.

Autor da série de quadrinhos Homem-Chiclete, Ede garante que a feira é uma chance para expandir sua base de leitores. A qualidade da escrita e os preços acessíveis eram as duas coisas garantidas em seu estande. “R$ 60 ou R$ 70 eu acho um valor legal, dá para a pessoa comprar uns 2 livros para conhecer. Eu tenho quadrinhos de R$ 30, R$ 35 e R$ 20, então tem várias coisas que a pessoa pode levar”, afirmou.

O paulista também rasgou elogios para o evento. Ede destacou o papel da Flipelô em divulgar artistas que não estão nos radares das grandes editoras. “Eu acho que é um lugar para você também comprar coisas que não acha nas grandes livrarias, porque os autores independentes não tem muito espaço nesses lugares, então dependemos desses eventos”, pontuou.

Além de gastar pouco, os baianos também tiveram acesso a uma literatura que não se encontra em qualquer lugar. Para quem estava afim de conhecer escritas diferentes, a feira era um prato cheio. “Eu gosto muito de olhar, principalmente, os artistas independentes, porque eles têm livros muito especiais no acervo deles. Vai ter o lançamento de Onde Salvador Floresce, que é uma coletânea de 18 autores daqui da Bahia e que eu quero muito comprar esse livro”, disse a publicitária Evelyn Sena, 29.

Autores independentes roubam a cena
Autores independentes roubam a cena | Foto: José Simões/Ag. A Tarde

Sendo uma veterana, Evelyn curte a feira há quatro anos. Moradora de Pirajá, a baiana comentou o papel que a Flipelô desses tem para o fomento da cultura local. “Para a gente é muito importante, principalmente pensando em outras vertentes literárias que às vezes não querem chegar em Salvador. Ter uma festa nossa, celebrando pessoas nossas, com convidados nossos, é muito importante”, disse.

Indo desde os estandes até as atrações, a baianidade era o eixo central que conectava todas aquelas histórias. Fazendo parte da grade oficial do evento desde 2019, Anderson Shon é um dos exemplos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela Flipelô. “Eu passei por diversos eventos no Brasil e na Bahia, mas a Flipelô é a que mais me encanta, me atravessa de forma positiva. Então, compor essa feira é importantíssimo, seja com a poesia, com romance ou com os quadrinhos”, enfatizou.

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Durante esta edição, Anderson foi um dos escritores selecionados para fazer parte da Vila Literária. Autor de O Sítio da Tia Naná e Estados Unidos da África, o baiano confia no poder da escrita independente. “É da independência que vai sair um best seller, um novo premiado pelo Jabuti. É por isso que eu acho que a Vila Literária talvez seja o lugar mais importante da Flipelô.”

O evento no coração do Pelourinho se tornou um exemplo para outros do mesmo segmento. Anderson fez um apelo para que outros eventos da capital baiana começassem a ter esse olhar para os autores que buscam um lugar ao sol. “Eu acho que o lugar da literatura é o lugar da independência. Se a gente for perceber, existem muito mais autores independentes do que autores gerenciados por grandes editoras. Então, qualquer evento literário precisa dar essa atenção aos independentes”, finalizou.

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