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RESGATE HERÓICO - 23/07/2026, 08:30 - Atualizado em 23/07/2026, 10:09

CV no radar e mais alvos: apuração mostra como clínica atuava na Bahia

Mais de 30 pacientes foram resgatados de unidade de reabilitação

Bruno Dias e Pedro Moraes
Bruno Dias e Pedro Moraes
Operação resgatou 39 pacientes em uma clínica em Candeias
Operação resgatou 39 pacientes em uma clínica em Candeias |  Foto: Divulgação/PC-BA

O terror vivido por ao menos 39 pacientes na Clínica Terra Santa Videira, em uma área rural de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), acabou nesta quarta-feira (22). A unidade de saúde, que deveria prestar serviços de assistência psicossocial e dependência química, já era investigada por suspeita de envolvimento em duas mortes, tortura e maus-tratos. Mas, o que parece pior, pode ainda ser mais tenso.

De acordo com apuração da reportagem do MASSA!, a operação Terra Santa, que autuou um homem ligado ao proprietário da instituição, pelos crimes de tortura e maus-tratos, está na cola de Moises de Jesus Leal, atual dono do local.

Moises de Jesus Leal é investigado por suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV)
Moises de Jesus Leal é investigado por suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV) | Foto: Reprodução / Leitor Portal MASSA!

Assista ao momento da prisão:

Para emplacarem esse passo na investigação realizada desde dezembro de 2025, quando um paciente foi encontrado morto carbonizado no local, a 20ª Delegacia Territorial (DT/Candeias), vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), apura outro ponto importante. Existe uma linha de investigação que analisa a suposta ligação de Moises com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

“Autuamos em flagrante o gerente, agora a investigação evolui no sentido de saber se realmente o proprietário é integrante de facção, porque há esse informe, mas ainda não constatamos o fato. Agora, que ele era viciado em cocaína, o proprietário Moises, e também o gerente que foi autuado, é ex-viciado, isso sim", detalha o delegado Marcos Laranjeiras, titular da 20ª Delegacia Territorial (DT), em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (23).

Aspas

Agora, que ele era viciado em cocaína, o proprietário Moises, e também o gerente que foi autuado, é ex-viciado, isso sim

Valor da mensalidade

A reportagem do MASSA! apurou que o valor pago pelas famílias dos internos chegou a R$ 1300. Além disso, os pacientes relataram, via depoimentos, que existiam armas de fogo na clínica.

"Consta no depoimento no corpo do inquérito que existia armas de fogo lá dentro, uma submetralhadora e três pistolas semiautomáticas, cuja posse ficava em mãos do Moisés, que é o proprietário, e do gerente. Nós estamos apurando, inclusive nós incursionamos ontem no sentido de localizar esse armamento, porém não logramos êxito", menciona o agente.

Confira o local da hospedagem:

Tortura com choque e tratamento especial

Existem relatos de vítimas que alegam que ficavam de cabeça para baixo, além de serem eletrocutadas como forma de punição. Acima de tudo, a polícia pontuou que, dentro da linha de investigação sobre a ligação com o CV, existe indícios de que quando internos do Bonde do Maluco (BDM) chegavam ao local, eram torturados de forma mais intensa.

“Estamos apurando o fato de haver desova de cadáver em algumas dessas covas. Fizemos uma incursão ontem no cumprimento do mandado judicial de busca e apreensão, referido pelo Poder Judiciário, no sentido de colher objetos do crime, aparelhos celulares, notebooks, que comprovam efetivamente maus tratos, torturas e também esses homicídios que nós estamos apurando. Porém, ontem o Departamento de Polícia Técnica, junto com a nossa equipe da Polícia Civil não detectou vestígios de cadáver", detalha Laranjeiras.

Veja estrutura de clínica:

Dentro da operação, apesar de não encontrar armamentos, a Polícia Civil da Bahia (PC-BA) apreendeu alguns medicamentos. As pessoas resgatadas, por exemplo, estavam em situação de cárcere privado.

Queima de arquivo

Marcos Laranjeira também assegurou que ao menos uma morte já constatada significou queima de arquivo. Na ocasião, Iago Marques Formiga, de 33 anos, foi morto dias após o crime contra Geovane Santana Lopes, 31.

“Na dinâmica da investigação, nós constatamos que o Iago, que foi a última vítima do homicídio, que o corpo foi localizado carbonizado no município de Camaçari, era muito amigo do Giovanni. Temos informes que foi queimado propositadamente no interior da clínica por meio de tortura e socorrido para o HGE, só que ele faleceu por consequência da queimadura de terceiro grau.”

Aspas

Iago ficou inconformado que o amigo foi executado e aí, como se fosse uma queima de arquivo, o proprietário da clínica resolveu executá-lo

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