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Ganância em excesso! - 16/06/2026, 20:30 - Vinicius Portugal

Justiça condena homem que amputou o próprio pé para receber seguro

Investigação concluiu que servidor forjou assalto

Servidor amputou o próprio pé
Servidor amputou o próprio pé |  Foto: REPRODUÇÃO/RELATÓRIO DE SINDICÂNCIA DA CONSULTORIA DE SEGUROS

O que parecia ser um caso chocante de violência em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, acabou se transformando em uma história ainda mais surpreendente. Um servidor público federal foi condenado por estelionato após a Justiça concluir que ele amputou o próprio pé para tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros.

O caso aconteceu em 2019 e teve desfecho definitivo após o trânsito em julgado da condenação, quando não cabem mais recursos.

Na época, Vanderley dos Santos Gomes contou à polícia que havia sido vítima de um assalto. Segundo a versão apresentada por ele, criminosos o sequestraram, roubaram seus pertences e cortaram seu pé direito antes de abandoná-lo em uma área rural do município.

Mas as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia chegaram a uma conclusão bem diferente. De acordo com as apurações, não houve assalto, sequestro ou tortura. A suspeita é que o próprio servidor tenha provocado a amputação para tentar embolsar valores milionários de apólices de seguro contratadas poucas semanas antes da lesão.

As investigações apontaram que Vanderley assinou quatro contratos de seguros de vida e acidentes pessoais entre junho e julho de 2019. Somadas, as indenizações poderiam ultrapassar R$ 1,5 milhão em caso de invalidez permanente.

A desconfiança aumentou por causa do curto intervalo entre a contratação dos seguros e a amputação. Além disso, os investigadores encontraram diversas inconsistências na versão apresentada pelo servidor.

A Justiça destacou que não foram encontradas provas que confirmassem pontos importantes da história, como o suposto atendimento médico logo após o crime e até mesmo o desembarque dele na rodoviária de Cruz das Almas no dia em que o caso teria acontecido.

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Na sentença, o magistrado considerou que o relato apresentado era incompatível com as provas reunidas durante a investigação. O entendimento foi mantido pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que apontou contradições e elementos considerados pouco críveis na narrativa.

Vanderley foi condenado a dois anos de reclusão pelo crime de estelionato. Com o fim de todos os recursos, ele foi intimado para cumprir a pena.

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