
A disputa interna no Partido Liberal (PL) da Bahia ganhou mais um capítulo daqueles. Além das brigas ideológicas e da queda de braço pelo comando da sigla no estado, candidatos agora reclamam da distribuição de materiais de campanha feita pela direção estadual, comandada pelo ex-ministro e candidato ao Senado, João Roma.
Segundo informações obtidas pelo Grupo A Tarde, candidatos ligados à ala mais ideológica do PL estariam enfrentando dificuldades para conseguir materiais de campanha com a imagem de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
A bronca é tanta que alguns postulantes à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) teriam decidido tirar dinheiro do próprio bolso para imprimir santinhos e outros materiais com a imagem do senador.
A estratégia tem uma explicação simples: para esses candidatos, o sobrenome Bolsonaro ainda tem força suficiente para ajudar na corrida por votos tanto em Salvador quanto no interior.
Candidato fala em boicote
Um dos que colocou a boca no trombone foi Giu Argôlo (PL), candidato a deputado federal pela Bahia. Em conversa com o Grupo A Tarde, ele afirmou que não recebeu material de campanha com Flávio Bolsonaro e ainda teria sido impedido de citar o nome do senador na propaganda eleitoral gratuita.
Segundo Giu, o espaço destinado a ele na televisão também seria considerado insuficiente.
“Estamos sendo escanteados e boicotados. Na propaganda de TV só tive direito a seis segundos e fui proibido de citar tanto Jair Bolsonaro quanto Flávio Bolsonaro e qualquer outro nome que seja ligado a eles”, disse.
O candidato também reclamou da falta de santinhos e disse que a situação fica ainda mais complicada quando compara sua campanha com a de adversários.
“Não está sendo disponibilizado nenhum material com a imagem de Flávio Bolsonaro para a gente, zero. É até vergonhoso. Cerca de 99,9% das prefeituras no meu entorno são aliadas do PT e o pessoal deles tem um farto material de campanha com a figura de Jerônimo e Lula”, afirmou.
Roma adota tom mais moderado
Enquanto parte dos candidatos do PL cobra mais espaço para o bolsonarismo, João Roma estaria adotando uma postura mais moderada nesta eleição.
A mudança de tom chama atenção porque, em 2022, quando disputou o Governo da Bahia, Roma esteve fortemente associado à imagem e ao palanque do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Agora, a situação é diferente. Roma disputa uma das duas vagas ao Senado na chapa majoritária liderada por ACM Neto (União Brasil) e estaria tentando manter um discurso mais próximo do tom adotado pelo candidato ao Governo da Bahia.
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A estratégia teria como objetivo evitar um choque com o eleitorado que pretende votar em Lula (PT) para presidente, mas também em ACM Neto para governador — a chamada combinação “Lula-Neto”, que ganhou força como possibilidade de voto cruzado na Bahia.
Apoio a Caiado entra no jogo
Outro ponto que pesa nessa equação é a posição de ACM Neto para a disputa presidencial. O ex-prefeito de Salvador já declarou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Com isso, Roma precisa administrar a própria relação com o bolsonarismo sem criar uma saia-justa com o cabeça da chapa majoritária da qual faz parte.
Procurada pelo Grupo A Tarde, a assessoria de João Roma foi questionada sobre as reclamações relacionadas à distribuição dos materiais de campanha. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
*Com informações da repórter Ane Catarine, do portal A TARDE.

