
O presidente da República não governa sozinho. No Brasil, o poder é dividido entre Executivo, Legislativo e Judiciário, e cada um tem funções próprias. Na prática, isso significa que o presidente pode propor projetos, administrar o país e tomar decisões dentro de suas atribuições, mas depende do Congresso Nacional para aprovar leis, definir parte importante do orçamento e autorizar ou analisar determinadas medidas.
É justamente para entender quem faz o quê e por que uma decisão do governo pode depender de deputados e senadores que o MASSA! Explica entra em campo.
O que é o Congresso Nacional?
O Congresso Nacional é o Poder Legislativo federal e é formado por duas Casas: Câmara dos Deputados e Senado Federal. Atualmente, são 513 deputados federais e 81 senadores.
A Câmara representa a população, enquanto o Senado representa os estados e o Distrito Federal. Os deputados têm mandato de quatro anos; os senadores, de oito.
Mas o Congresso não serve apenas para votar projetos de lei. Uma de suas principais funções é fiscalizar o governo federal, acompanhando a utilização do dinheiro público e as ações do Poder Executivo.
E o que deputados e senadores fazem?
Entre as principais atribuições do Congresso estão:
- discutir e votar projetos de lei;
- analisar propostas enviadas pelo presidente;
- votar o orçamento da União;
- fiscalizar os atos do governo federal;
- analisar vetos presidenciais;
- aprovar mudanças na Constituição por meio de emendas;
- exercer funções específicas atribuídas à Câmara ou ao Senado.
- O Senado ainda tem atribuições próprias, como aprovar previamente determinadas autoridades indicadas pelo presidente, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República.
Como funciona a divisão dos Poderes?
A Constituição Federal estabelece que são independentes e harmônicos entre si os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
De forma simples, cada um possui uma função principal:
Executivo: administra o país e coloca políticas públicas em prática. No âmbito federal, é comandado pelo presidente da República, auxiliado pelos ministros de Estado.
Legislativo: cria e altera leis, aprova o orçamento e fiscaliza o Executivo. No nível federal, é exercido pelo Congresso Nacional.
Judiciário: julga conflitos e aplica as leis aos casos concretos, além de atuar na proteção da Constituição e dos direitos previstos nela.
A divisão não significa que cada Poder trabalhe completamente isolado. Existem mecanismos de controle entre eles justamente para evitar a concentração de poder.
Então por que o presidente depende do Congresso?
Aqui está um ponto que costuma gerar confusão: o presidente é o chefe do Executivo, mas não tem poder para transformar todas as suas propostas em realidade sozinho.
Se o governo quer criar ou alterar determinadas regras por meio de uma lei, a proposta precisa passar pelo processo legislativo. Em muitos casos, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de chegar à sanção ou ao veto presidencial. O sistema é chamado de bicameral, justamente porque envolve as duas Casas.
O orçamento é outro exemplo importante. O governo federal apresenta propostas para definir receitas, despesas, metas e prioridades, mas o Congresso participa da aprovação dessas leis orçamentárias. O dinheiro público federal precisa estar previsto em lei e é fiscalizado pelo Legislativo.
Ou seja: o presidente pode apresentar uma proposta, mas não é ele quem dá a palavra final em tudo.
E se o presidente vetar uma lei?
O presidente pode sancionar ou vetar, total ou parcialmente, um projeto aprovado pelo Congresso. Mas o veto também pode ser analisado pelos parlamentares.
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Em determinadas situações, deputados e senadores podem rejeitar o veto presidencial em sessão conjunta do Congresso. Por isso, mesmo depois da aprovação de um projeto, o processo ainda pode envolver uma nova disputa entre Executivo e Legislativo.
E as medidas provisórias?
Existe uma ferramenta que permite ao presidente agir de maneira mais rápida: a Medida Provisória (MP).
Ela pode ser editada pelo presidente em casos de relevância e urgência e passa a ter força de lei imediatamente. Só que isso não significa que o governo possa manter a medida indefinidamente sem o Congresso.
A MP precisa ser analisada pelos parlamentares e pode ser convertida em lei, modificada ou perder a validade. Pela Constituição, o prazo é de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período, caso não seja concluída a votação.
Na prática, o presidente precisa negociar
É por isso que o relacionamento entre o Palácio do Planalto e o Congresso costuma ser tão importante.
Mesmo que o presidente tenha sido eleito diretamente pelos brasileiros, deputados e senadores também receberam votos e possuem suas próprias bancadas, partidos e interesses políticos. Para aprovar projetos, mudanças na legislação e medidas importantes para o governo, o Executivo precisa construir maioria no Legislativo.
Isso ajuda a explicar por que a chamada base governista é tão importante. Quanto maior o apoio do governo dentro da Câmara e do Senado, maior tende a ser a capacidade de aprovação de suas propostas.
Mas isso não significa que o Congresso seja subordinado ao presidente. São Poderes independentes, e justamente por isso o Legislativo pode aprovar, modificar ou rejeitar propostas do Executivo e fiscalizar suas ações.
No fim das contas, a lógica é simples: o presidente governa, o Congresso legisla e fiscaliza, e o Judiciário julga, mas os três Poderes possuem mecanismos para limitar e controlar uns aos outros. Esse equilíbrio é uma das bases do funcionamento da democracia brasileira.

