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Se ligue! - 31/07/2026, 08:00 - Atualizado em 31/07/2026, 10:48

Além da unha encravada: alicate também pode transmitir doenças

Quando compartilhado, o alicate pode transmitir hepatite B e hepatite C, herpes simples e outras doenças

A Anvisa disponibiliza materiais didáticos sobre como esterilizar matérias de beleza
A Anvisa disponibiliza materiais didáticos sobre como esterilizar matérias de beleza |  Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Objeto presente em muitas casas, o alicate de unha é utilizado para fins estéticos e também de higiene. O item cortante serve para moldar e aparar, além de tirar o excesso de pele ao redor das unhas.

No entanto, o mau uso do aparelho, causado principalmente por falta de esterilização e compartilhamento indevido, pode gerar inflamações, doenças e infecções que vão desde uma unha encravada até Hepatite B e Hepatite C, Herpes simples, Micoses e HIV.

O MASSA! procurou profissionais que utilizam o alicate de unha no dia a dia de trabalho para saber mais detalhes sobre os riscos que este objeto pode trazer.

Preços de alicate de unha Inox são a partir de 30 reais
Preços de alicate de unha Inox são a partir de 30 reais | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Um pequeno corte, um grande risco

A podóloga Andréa Pereira, de 35 anos, possui 15 anos de experiência e especializações em áreas como podogeriatria, tratamento para unhas encravadas, entre outroa. Elaafirma que o problema mais comum decorrente do uso de alicates são infecções. “Essa infecção acontece devido do uso de um alicate não esterilizado e da remoção da cutícula que geralmente leva ao sangramento”, explicou a profissional.

Na foto, Andreia Pereira, profissional da podóloga a 15 anos
Na foto, Andreia Pereira, profissional da podóloga a 15 anos | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Segundo ela, esse é o início do processo inflamatório, quando a parte lateral do dedo começa a ficar mais inchada, evoluindo para a vermelhidão. “A partir daí a pele fica quente e começa o processo de secreção purulenta, ou então uma secreção mais amarelada, decorrente desse processo inflamatório”, disse.

Um problema comum que pode surgir a partir desta infecção são as unhas encravadas. O corte da unha, feito de forma errada, principalmente nas laterais, para "aliviar a pressão", pode favorecer o desenvolvimento de unhas encravadas.

Não basta lavar: é preciso esterilizar

Assim como qualquer utensílio de higiene, o alicate precisa ser limpo corretamente. No entanto, diferente de alguns equipamentos que são desinfetados com o álcool, o alicate de unha deve ser limpo com combinação de dois itens específicos: a máquina autoclave e o detergente enzimático.

A autoclave é o aparelho padrão reconhecido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para realizar o processo de esterilização. O equipamento custa a partir de R$ 1.000,00 no Brasil e funciona como uma espécie de panela de pressão, por meio de vapor de água sob pressão, combinando calor, umidade e tempo adequados para destruir microrganismos presentes nos materiais como tesoura, pinça e alicates após o uso.

O Autoclave assegurado pela Anvisa
O Autoclave assegurado pela Anvisa | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Natiele Lima tem 23 anos, é manicure especialista nas técnicas Gel na tips e Nail art e, em 7 anos, no campo das unhas, possui o equipamento em seu salão em Salvador. “Eu faço a esterilização na autoclave, dentro do grau cirúrgico. O material é colocado na autoclave, sob pressão, por 45 minutos. Após esse tempo, ele está totalmente seguro de bactérias e vírus.”

Na foto, Natiele Lima  manicure especialista nas técnicas Gel na tips e Nail art
Na foto, Natiele Lima manicure especialista nas técnicas Gel na tips e Nail art | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Já o detergente enzimático, custa a partir de R$ 22,00 e o preço varia de acordo com a quantidade de litros do produto. Ele se diferencia de outros detergentes por ser capaz de destruir a membrana de vírus e bactérias, além de combater os germes.

Se não tiver esses equipamentos, leve o seu

O uso do alicate deve ser individual, independentemente do local onde você faz as unhas, seja em casa, entre familiares, e principalmente no salão, onde varias pessoas estão transitando. As profissionais como pedicure/manicure ou podólogas, devem possuir kits individuais. Entre um atendimento e outro, é feito um trabalho em conjunto com os objetos de segurança já citados a autoclave e o detergente.

Natiele atende uma média de 5 pessoas por dia, e costuma se precaver em relação a esses kit, deixando pronta uma quantidade suficiente para atender durante dois dias. “Eu faço esse procedimento apenas duas ou três vezes na semana o que permite que, entre um atendimento e outro, eu tenha um kit individual para cada cliente”, afirmou.

Mesa de esterilização do salão da manicure Natiele
Mesa de esterilização do salão da manicure Natiele | Foto: Reproduão/ Arquivo Pessoal

Caso a pessoa desconfie que está havendo o compartilhamento do objeto, apodóloga e manicure são bem diretas: Leve o seu! “Justamente pelo fato de não haver esses equipamentos em todos os salões, o ideal realmente é o cliente ter o seu material individual.”, diz Natiele.

Ela adverte que isso serve também para lugares conhecidos, mas não sabe como é feito o processo de esterilização. “Em locais que a gente sabe que é seguro, mas não sabe como é feito o processo, é recomendado levar o seu.”

Nada de tirar “bife”

Muitas vezes vista como inimiga da beleza dos dedos, a cutícula é a pele localizada na base da unha e funciona como uma barreira natural contra microorganismos como fungos e bactérias. Por conta do aspecto estético que a cutícula traz, com o objetivo de deixar a unha e o esmalte com um acabamento mais "limpo" ou "branquinho", muitas pessoas pedem para que a manicure a arranque. E é aí que cometemos nosso grande erro.

“O que se estende além da unha e nas laterais do dedo é pele e não deve ser removido.” Segundo a podóloga, a retirada saudável dela deve ser feita no entorno do dedo e por cima da unha, removendo apenas o que excede e descama. Nada de retirar os conhecidos como “bifes”, pedaços da pele que, como já foi dito, começam a gerar sangramento. “O que passa da unha não é cutícula, é dedo [..], então você não removeu só a cutícula, você removeu parte da pele do seu dedo.”

Podóloga com instrumentos utilizados na atividade
Podóloga com instrumentos utilizados na atividade | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Natiele enfatiza aos seus clientes que não trabalha retirando 100% da cutícula. “Sempre informo que o ideal não é remover 100%, e que eu tiro apenas o excesso de cutícula”, afirma. Por se posicionar desta forma, ela recomenda até outro profissional: “Se você quiser algo mais profundo, pode procurar um outro profissional, dias antes de fazer o alongamento de unhas”.

Alicates devidamente esterilizados
Alicates devidamente esterilizados | Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

Entre os materiais que realizam essa remoção de forma correta estão os usos das brocas de unhas, equipamentos que também atingem a cutícula, “Se eu tirar muita cutícula, quando eu for fazer o lixamento, eu vou acabar machucando a cliente, porque já vai estar sensível e pode ficar mais sensível ainda", ressaltou.

Andréa adverte que não deve haver lesão, ferimento e que a pele não deve ficar rosada ou vermelha. Se isso acontecer, significa que o limite foi excedido e parte da pele saudável foi removida.

Confira os cuidados

As pessoas devem se atentar a qualquer indício de falta de biossegurança causada pelo abuso do uso do alicate. Em casa, provavelmente não teremos os equipamentos adequados para limpeza, mas isso não impede de nos protegermos. Confira abaixo os métodos de prevenção que devemos tomar:

➡️Uso Individual: cada pessoa deve ter seu próprio material, e deve ser separado para as mãos e os pés.
➡️Limpeza: usar sabonetelíquido e uma escovinha para remover resíduos, cutículas e sujidades.
➡️Separação Mãos/Pés: essencial devido a maior probabilidade de os pés contraírem fungos e bactérias, já que estão mais expostos a ambientes contaminados (calçados, meias, solo, praias, piscinas) e são frequentemente negligenciados na higiene em comparação com as mãos.

Mesa de esterilização do consultório de podólogia
Mesa de esterilização do consultório de podólogia | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

➡️Cuidado com o “Bife”: a busca por uma remoção muito profunda da cutícula pode levar a processos inflamatórios, micoses, infecções e dor, pois remove a total proteção do dedo e da unha.
➡️Se atente aos sinais de dor: dor ao toque e pele em torno da unha rosada ou avermelhada são indicativos de um possível processo inflamatório ou infecção.
➡️Posição em que é utilizado o alicate:oalicate exige habilidade, pois corta onde é posicionado. Há o risco de cortar a pele abaixo ou na lateral da unha, removendo tecido além do necessário.

Imagem ilustrativa da imagem Além da unha encravada: alicate também pode transmitir doenças
Foto: Shirley Stolze / Ag A TARDE/ Arquivo

Além da cutícula, o próprio ato de cortar a unha também com o alicate pode ser feito, mas de forma correta, tendo em vista esses 5 pontos:

➡️Foco: remover apenas o comprimento da unha.
➡️Formato: o corte deve ser reto.
➡️Laterais: de preferência, não cortar as laterais das unhas.
➡️Limite: o corte deve ir até o limite do "coxim de gordura" ou da ponta do dedo.
➡️Excesso nas laterais: em vez de cortar, use uma lixa descartável para arredondar e suavizar as pontas ou excessos laterais.

Quando a pele parece cutícula

Andreia chama atenção para a dificuldade de identificar a cutícula em pessoas negras. Devido a quantidade de melanina, a região ao redor da unha pode ter uma tonalidade mais escura, semelhante a cor da pele da pessoa. “A primeira camada é cutícula, mas a extensão mais escura é a pele do dedo", explica.

Por isso, é importante discernir que nem toda a área escura é cutícula e que, tentar remover sem conhecimento, causará lesões significativas.

*Sob a supervisão do jornalista Wiliam Falcão

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