
O inverno é uma das estações do ano mais preocupantes para muitas famílias, isso porque o clima dessa época favorece o aumento da circulação do vírus que causa bronquiolite, uma doença respiratória que costuma atingir bebês e crianças até 2 anos.
De acordo com a médica Mirla Amorim, pediatra e neonatologista do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, a doença é causada por infecção viral na maioria dos casos e provoca o acúmulo de secreção nos bronquíolos e inchaço, o que dificulta a passagem do ar e da respiração para a corrente sanguínea. Esse processo fica mais suscetível em dias frios.
Nesse período "as temperaturas estão mais baixas, há um aumento da circulação dos vírus, os ambientes estão mais fechados, como as salas de aula e os transportes públicos. [...] O Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que é o que mais acomete as crianças nessa época, tem uma alta transmissibilidade no período de março a agosto”, disse a médica em entrevista ao MASSA!.

Bebês são os principais alvos da bronquiolite
Os especialistas alertam que os bebês estão entre os mais vulneráveis à bronquiolite, pois o organismo deles ainda está em fase de desenvolvimento da imunidade, e não recebeu todas as vacinas necessárias. Além disso, a estrutura corporal contribui para o risco, já que o tórax ainda não possui musculatura forte, os bronquíolos são estreitos e o pulmão é imaturo.
“A faixa etária de maior risco é toda criança abaixo de 2 anos, mas principalmente abaixo de 6 meses e mais ainda abaixo de 2 meses, por conta da vacina que ainda está incompleta. Os prematuros também merecem destaque, porque nasceram antes do tempo, têm um peso mais baixo, não receberam a imunização completa da mãe e não têm a caixa torácica forte. Eles são muito magrinhos, pequeninhos, então são bebês de maior risco”, pontuou Mirla.

Como saber que é bronquiolite e não um resfriado?
Alguns sintomas de bronquiolite podem ser facilmente confundidos com quadros simples de gripe ou resfriado. Porém, conforme os dias forem passando, a infecção evolui e demonstra sinais claros de que o paciente precisa de atendimento médico.
“A criança vai começar com um quadro de resfriado comum, com coriza e tosse. E aí essa infecção evolui para um chiado no peito, dificuldade para respirar. Você vai observar o bebê e ver que o narizinho fica abrindo e fechando, as costelinhas ficam aparecendo, a barriguinha fica subindo e descendo, significa que ele está com dificuldade para inspirar e expirar o ar”, ensinou a médica.
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Foi justamente dessa forma que Fabiana Silva dos Santos, de 41 anos, conseguiu identificar que a filha de apenas 5 meses de vida estava com bronquiolite. Na época, a pequena Júlia começou a apresentar dificuldade de respirar e a família a levou para uma emergência hospitalar.
“Eu percebi que não era gripe e nem resfriado quando, naquela região do abdômen, a parte que divide as costelas, estava muito profunda a respiração. A gente consegue perceber que a respiração do bebê não está normal quando ela fica muito funda e muito rápida, dando para ver até pela roupa. Foi ali que eu levei ela para a emergência”, contou Fabiana ao MASSA!.

A mãe de família, que é moradora do bairro de Periperi, em Salvador, passou momentos de aflição durante a internação para o tratamento de Júlia. A bebê precisou fazer alguns exames e foi transferida para o Hospital Estadual 2 de Julho, onde recebeu acolhimento dos profissionais, o acompanhamento adequado para tratar a bronquiolite, fez sessões de fisioterapia para respirar corretamente e conseguiu voltar para casa bem.
Família adotou mudanças radicais para proteger as crianças
Depois do susto da família Silva com a saúde da Júlia, os cuidados para garantir que ela se recuperaria com tranquilidade foram radicais. Um dos hábitos diários inegociáveis adotados pela mãe da bebê foi a lavagem nasal com soro. Outra decisão foi a de não permitir o contato com pessoas adultas de fora do ciclo familiar, especialmente aquelas com sintomas gripais.
“Eu evitei ter contato com muita gente e estava sempre lavando o nariz. O soro foi o companheiro dela, foi a melhor forma de evitar. Além de sempre estar acompanhando ela no médico, no pediatra, para ele estar observando se houver algum indício”, revelou.

O caso de Júlia tinha ainda um agravante, que era o fato do irmão mais velho, Samuel, de 2 anos, frquentar uma creche na época em que ela adoeceu. Os pais decidiram tirá-lo da unidade de ensino naquele momento para proteger tanto a ele quanto a menina, principalmente porque o garoto ainda não estava com uma idade que afetasse o seu desenvolvimento escolar. Ele retornou para a sala de aula alguns meses depois.
“Samuel teve que sair da creche, porque ele vinha gripado do colégio e eu não tinha como evitar ele chegar perto dela naquela situação toda. O principal transmissor dela era Samuel, até que é um processo complicado, né? Então eu tive que tirar ele da creche”, justificou Fabiana.
O melhor remédio é a prevenção
A proteção dos bebês contra a bronquiolite começa ainda na gestação, com a vacina destinada às grávidas, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da 28ª semana. Ela garante imunidade ao recém-nascido por cerca de seis meses e tem resultados expressivos na redução dos casos graves da doença.

“A prevenção da bronquiolite começa com a vacina das gestantes, gratuita no SUS. Toda gestante acima de 28 semanas tem direito de tomar. É muito importante que as mães tomem essa vacina, que protege por mais ou menos 6 meses a vida do bebê”, explicou a médica Mirla Amorim.
Já no caso de bebês prematuros e crianças com comorbidades, o uso do anticorpo monoclonal Nirsevimab, também oferecido pelo SUS, ajuda a ampliar a segurança contra o Vírus Sincicial Respiratório.
“Além disso, encontra-se gratuito também no SUS o Nirsevimab, que é o anticorpo monoclonal para proteção contra o vírus sincicial respiratório. Esse anticorpo é gratuito para todos os bebês abaixo de 37 semanas, ou seja, prematuros, e também para todas aquelas crianças que nasceram com comorbidades, problema de coração, problema de pulmão, síndrome genética. Já os demais bebês que nasceram de 9 meses, sem intercorrências, podem tomar somente nas clínicas particulares”, acrescentou a especialista.

