
O confete ainda nem baixou totalmente e os postos de saúde já sentem o reflexo da maior festa de rua do mundo. O que começou com alegria e axé tem terminado, para muitos foliões, em repouso forçado. Dados das autoridades de saúde indicam que o rastro de aglomerações e excessos do Carnaval deixa um legado preocupante: o aumento exponencial das viroses.
Tão certo quanto 2 + 2 = 4 é o surgimento das viroses após uma festa como o Carnaval. Em Salvador, os foliões costumam até batizar os surtos a cada ano, criando sempre uma relação com o hit da folia. Foi assim que nasceu, em 2026, a 'Vampirose', em alusão à música 'Vampirinha', de Ivete Sangalo, que dominou as fantasias do Carnaval deste ano.
No último ano, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) registrou um salto de 32% nos casos de viroses gastrointestinais nas duas semanas pós-festa. O cenário deste ano não parece diferente, com as unidades de pronto atendimento recebendo pacientes apresentando sintomas da famosa virose que aparece após o Carnaval.
O aumento das ocorrências não é coincidência. A combinação de calor intenso, alimentação irregular e o contato físico próximo cria o ambiente perfeito para a proliferação de agentes infecciosos. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (SESAB), as síndromes gripais cresceram 25% no período [referente ao ano passado], enquanto os quadros de desidratação e sintomas leves chegaram a atingir 40% de aumento
A médica e professora universitária Adriana Lessa, da Afya Salvador, explica que o corpo fica vulnerável devido a uma "tempestade perfeita" de fatores:.
➡️ Baixa imunidade: Noites mal dormidas e consumo excessivo de álcool sobrecarregam o sistema de defesa.
➡️ Higiene relaxada: O compartilhamento de copos, latas e o uso frequente de banheiros públicos facilitam a troca de vírus.
➡️ Transmissão direta: O beijo e o contato físico próximo elevam o risco de mononucleose, influenza e rinovírus.
"A exposição de alimentos ao sol por longos períodos e a baixa ingestão de água criam o cenário ideal para infecções por norovírus e rotavírus", alerta a especialista.
Guia de recuperação: como voltar à rotina
Para quem já foi "fisgado" pela virose, a palavra de ordem é paciência. O corpo precisa de tempo para expulsar o invasor e se recuperar do desgaste físico da folia. Confira as principais recomendações médicas para este período:
➡️ Hidratação severa: É o pilar principal. Água, água de coco e soro caseiro são essenciais, especialmente em quadros de diarreia.

➡️ Dieta leve: Priorize frutas, legumes e proteínas magras (frango grelhado ou peixe). Evite frituras e alimentos gordurosos que pesem no sistema digestivo já fragilizado.
➡️ Repouso: O sono é o momento em que o sistema imunológico trabalha com mais eficiência.

➡️ Cuidado com a automedicação: Suplementos e remédios para interromper o fluxo intestinal devem ser evitados sem orientação, pois podem mascarar sintomas graves.
"Na recuperação, é fundamental repousar; manter uma hidratação adequada; priorizar uma alimentação leve e nutritiva, rica em frutas, legumes e proteínas magras; e evitar álcool e alimentos gordurosos. Em caso de febre persistente, vômitos ou diarreia intensa, deve-se procurar atendimento médico para avaliação e hidratação adequada. Deve-se também lembrar que a suplementação e o uso de medicamentos devem ser sempre orientados por um profissional", sugere Adriana.
Quando procurar o hospital?
Se os sintomas incluírem febre persistente, vômitos que impedem a ingestão de líquidos ou desidratação severa, a busca por atendimento médico especializado torna-se indispensável.
