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Momento de fé - 20/02/2026, 17:36 - Gabriel Freitas

Do Carnaval à Páscoa: o real significado da Quaresma

Período de abstinência dá espaço ao espírito no lugar da carne

Católicos vivem com intensidade espiritual o período da Quaresma
Católicos vivem com intensidade espiritual o período da Quaresma |  Foto: Reprodução/Freepik/Imagem Ilustrativa

O Carnaval foi bom, deixou memórias, mas partiu. Com o fim da folia a Quaresma chegou com seus desafios e promessas de abstinências. No entanto, com este período de fé, surgem várias dúvidas do que pode e não pode fazer.

O período de jejum deu início nesta semana e segue até a Quinta-Feira Santa, na semana que retrata a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.

Com o intuito de colocar os pingos nos is, o MASSA! conversou com um padre e um fiel, que explicaram como encaixar o fortalecimento da fé na rotina de trabalho, família e afins. Além disso, também tirou todo questionamento acerca da importância desses momentos de sacrifício para um bem maior.

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Católicos se abstêm de suas vontades

O Brasil ser um país laico e a sociedade, principalmente a baiana, está mergulhada em tradições de várias religiões. Neste intervalo do Natal à Páscoa, o catolicismo fica ainda mais em evidência. Do Carnaval ao momento em que relembra a crucificação de Cristo, são 40 dias, por isso este período é intitulado de Quaresma.

Para dar início aos 40 dias de jejum, o devoto recebe as cinzas, em sua cabeça, a fim de que se lembre de onde veio, do pó, como acreditam os cristãos, a partir de uma embasamento bíblico. No entanto, mesmo quem não passou pelo ritual ou não deu início na data correta, ainda pode passar pela abstinência, segundo o Padre Ângelo Magno Lopes, pároco na Paróquia de Sant'Ana do Rio Vermelho, em Salvador.

Aspas

Jejum é um exercício de o homem dominar a sua vontade. E há tantas coisas que nós precisamos dominar para não cometermos o mal, o pecado, nem nos transviarmos de Deus.

Padre Ângelo Magno Lopes

"Por isso, o jejum é um exercício para que a gente amadureça e tenha condições de fazer um jejum, eu tenho a condições de fazer, portanto, coisas mais significativas na minha vida em relação a dominar o meu eu, a dominar a minha natureza, a dominar aquela inclinação minha para o mal", explicou o padre Ângelo, acerca da importância da abstinência.

Padre Ângelo Magno Lopes, pároco na Paróquia de Sant'Ana do Rio Vermelho
Padre Ângelo Magno Lopes, pároco na Paróquia de Sant'Ana do Rio Vermelho | Foto: Acervo Pessoal

Fé nos dias atuais

Em uma sociedade mergulhada na rotina cansativa do trabalho, redes sociais e vícios do cotidiano, surge a dúvida se ainda existe espaço para o sagrado. O padre Ângelo ressaltou o valor da tecnologia na divulgação da Palavra de Deus, mas pontuou que é preciso "amar a Deus acima de todas as coisas".

"Todo homem, onde quer que ele viva, no tempo e no mundo presente, a ele se exige muitas coisas, mas em tudo ele deve colocar Deus na frente, o seu maior bem, sua maior razão de ser e ver é Deus", destacou o sacerdote católico, quando questionado sobre como conciliar a vida terrena com as exigências espirituais.

Aspas

Se ele não encontra tempo para Deus, não é amar a Deus sobre todas as coisas. Qual é a mãe que por mais trabalho que tenha, não tenha tempo de amamentar o seu filho?

Padre Ângelo Magno Lopes

Para o fiel Alberto Júnior, que leva a sério a vida de devoção, "o tempo quaresmal não é uma tarefa tão difícil". Ele ainda listou que, para além da abstinência, o período serve para viver, de maneira mais intensa, uma vida de oração e caridade.

"Para nós, católicos, a quaresma é sobretudo um tempo de recolhimento, oração e revisão de vida, vivemos de forma mais intensa não só a caridade material, mas também espiritual que nos leva a ser mais caridoso com o próximo nas palavras e também atitudes. Após revisar sobre tudo isso dentro da minha vida, consigo fazer uma rotina de oração e consigo uma direção de como viver melhor a quaresma", explicou.

Efeitos espirituais

Dedicando-se a cada ano a viver de maneira mais intensa seu propósito religioso, Alberto Júnior destaca que os efeitos são visíveis, principalmente no olhar ao próximo e à forma de olhar o mundo. Para ele, viver essa abdicação das suas vontades não é um castigo, mas um sacrifício, que é como uma "doação, sendo uma escolha de amar mais a Jesus".

"O sacrifício em si é algo que fazemos como uma doação de amor. Eu não gosto, mas quero fazer por amor a Jesus. Isso me faz crescer espiritualmente por confrontar a minha vontade e acaba que me faz crescer como pessoa e traz ordem na minha vida. Não como algo que sou obrigado a fazer, mas escolho fazer por amor", salientou o fiel.

Fiel Alberto Júnior
Fiel Alberto Júnior | Foto: Acervo Pessoal

Quaresma virou moda

Em tempos que muita gente tenta viralizar na internet, a sensação é que até o sagrado se tornou motivo para engajamento. Ano passado, o assunto virou trend em redes sociais, como o TikTok. Diversas pessoas utilizavam coisas um tanto quanto fúteis para abstinência.

Embora isso esteja presente na sociedade, essa realidade não parece abalar o fiel Alberto, que foi contundente ao diferenciar os sacrifícios feitos com seriedade.

"A grande diferença é que quando se é modismo as práticas são vazias e superficiais, focadas mais no exterior do que no interior. Nasce do desejo de mostrar ao outro que eu estou fazendo, mas na verdade são práticas que não trazem frutos e conversão verdadeira. A vivência espiritual nasce de um desejo de mudança real, como um ato de amor a Jesus, um desejo de conversão verdadeira, mas focado no interior, pois a boca fala do que o coração está cheio. A vivência espiritual causa transformação de vida", concluiu.

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