
Se o Carnaval de Salvador é uma máquina gigante, o combustível é o suor da galera que não parou um segundo nesta sexta-feira (13). Mas baiano é barril: para o legítimo soteropolitano, o cansaço é psicológico e o som da percussão é o melhor energético. Entre o bater o ponto e a escala do sabadão, uma legião de trabalhadores invadiu a Barra para sacudir a poeira e aliviar o estresse.
Para muita gente, a folia é um "pique" contra o tempo. A jovem Larissa Alves, de 22 anos, quase teve um treco ao ver a festa começar na quinta enquanto precisava descansar para o turno das 6h da manhã. Mas, na sexta, o desejo de pular falou mais alto que o sono.
“Para mim o Carnaval é uma festa incrível, que se eu pudesse eu viria todos os dias. Como eu trabalho, tipo ontem, por exemplo, quinta-feira, quando começou, eu tive muita vontade de vir, mas como eu trabalho seis horas da manhã, eu não consegui. Hoje eu vim na força da vontade, mas amanhã, sábado cedo, eu estou lá no trabalho, seis horas da manhã", contou a guerreira. E o plano já tá traçado: "Pretendo vir curtir sábado também, porque domingo eu tô de folga, então vou curtir à vontade, sábado, domingo, segunda e terça que eu tô de folga”.

Já Geovane Sousa, de 25 anos, mandou a real sobre a dor de ver a diversão pela janela. “A pior experiência do baiano é que a gente tem que trabalhar na sexta-feira de Carnaval, desde a quinta, vamos dizer assim, e ainda tem que trabalhar no sábado e a gente não tem essa folga que o Carnaval conhece na melhor cidade do mundo”, desabafou.
Mas tem quem joga com a estratégia de mestre. A empreendedora Adriana Santana, de 42 anos, dona de uma marmitaria, adiantou o lado para bater o ponto na folia. Das 7h às 15h foi pau na máquina, e depois, partiu Barra!
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“Hoje eu tive o privilégio de vir aqui (...) A gente não pode deixar de vir para o Carnaval porque a gente precisa prestigiar a nossa cultura, o nosso axé. Eu achei que hoje seria o dia ideal, que é um dia mais tranquilo. Curtir esse Carnaval está maravilhoso, eu estou achando tudo muito bem organizado”, celebrou Adriana.
O ânimo dela foi o gás que a chef de cozinha Gisele Lima, de 37 anos, precisava. Gisele quase deu o "migué" por causa do cansaço após um dia pesado no restaurante, longe do circuito, mas a amiga deu o empurrão. “Ela me incentivou a vir porque eu estava muito cansada e assim ela falou: ‘Bora, amiga, bora’. Eu vim, para mim está valendo muita pena”, completou.

